Educar para quê?
A grande tarefa pedagógica do momento histórico
pelo qual estamos passando é a de capacitar os
cidadãos para criticarem o consumismo e reaprenderem
as tarefas da cidadania, objetivos que não podem ser
[5] alcançados separadamente. Infelizmente, o próprio
Brasil sofreu com uma conivência do Estado, da
Educação e dos meios de informação no sentido de
colaborar com essa vertente consumista. É dessa forma
que a ideologia do consumo foi ficando cada vez mais
[10] impregnada na população em geral.
Ao discutir sobre a “doença” do comprar
desenfreado, Milton Santos nota que a primeira reação
da população pobre, como qualquer outra, é a do
consumo e que isso é normal, mas que depois se
[15] descobre que não basta consumir, ou que, para consumir
de forma permanente, progressiva e digna, é necessário
ser cidadão.
Dessa forma, um grande dilema a ser desvendado
em nossa atualidade é a confusão entre quem é o
[20] cidadão e quem é o consumidor, pois a educação, a
moradia, a saúde, o lazer aparecem como conquistas
pessoais e não como direitos sociais. Essa doença
cívica vai tomando um lugar sempre maior em cada
indivíduo, o lugar do cidadão vai ficando menor e até a
[25] vontade de se tornar um cidadão por inteiro se reduz.
Talvez por isso, esses que são, na realidade, tidos como
bens públicos, passem a não sê-lo, transitando do lugar
de “dever social” do Estado para o de bens de mercado.
VENÂNCIO, Adriana. Globalização e reorganização histórica. Revista Leituras da História. Portal Ciência e Vida. Disponível em: . Acesso em: 17 out. 2013.
Para o articulista, o Estado, a Educação e a Mídia