INSTRUÇÃO: Para responder à questão, analise as afirmações a seguir sobre a forma e o conteúdo dos textos 1 e 2, e preencha os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).
TEXTO 1
As câmeras de vigilância estão em todos os lu-
gares. No começo, a novidade incomodava, evocava
um mundo controlado, totalitário. Mas logo nos demos
conta de que elas inibem e esclarecem crimes, aju-
[5] dam em coisas prosaicas, como controlar o trânsito.
É uma vigilância barata, segura, muitas mais virão.
Porém, a presença de câmeras na escola coloca
outras questões. O objetivo seria o mesmo, proteger
e prevenir. As intenções são louváveis, mas não se
[10] pode ignorar um fator fundamental: a escola é a
primeira socialização não controlada pelos pais e é
necessário que assim seja. Com o olhar vigilante e
onipresente da família não se cresce. Crescemos
quando resolvemos sozinhos nossos problemas,
[15] quando administramos entre os colegas as querelas
nem sempre fáceis. Entre as crianças, inúmeras
rusgas se resolvem sozinhas, os pais nem ficam
sabendo, e é ótimo que assim seja.
O bullying deve ser combatido, mas não dessa
[20] forma. O preço a pagar pela suposta segurança com-
promete a essência de uma das funções da escola,
que é aprender a viver em sociedade sem os pais e
a sua proteção, evocada pela presença da câmera.
Na sala de aula e no pátio da escola cada um
[25] vale por si. É preciso aprender a respeitar e ser res-
peitado. Nós todos já passamos por isso e sabemos
como era difícil. Não existe outra forma, é isso ou a
infantilização perpétua. A transição da casa para
a escola nunca vai ser amena.
[30] Essa proposta de vigilância não se ancora em
razões pedagógicas, e sim na angústia dos pais em
controlar seus filhos. Não creio que seja a escola que
reivindica câmeras, mas quem a paga. São os pais
inseguros que querem estender seu olhar para onde
[35] não devem. Existe uma correlação forte entre pais
controladores e filhos imaturos, adolescentes eternos
que demoram para assumir responsabilidades. É
possível cuidar dos nossos filhos mesmo permitindo
a eles experiências longe dos nossos olhos. A escola
[40] é deles, esse é o seu espaço e seu desafio.
CORSO, Mário. Câmeras na escola. Zero Hora, 05/06/2013. (fragmento adaptado)
TEXTO 2
Ninguém se surpreendeu com a notícia de que Wa-
shington possui um poderoso sistema de espionagem,
mas a revelação de sua amplitude por Edward Snowden
criou um escândalo planetário. Nos Estados Unidos, a
[5] novidade foi recebida com apatia. Estão distantes os
dias em que as escutas telefônicas provocavam a ira
da população.
As revelações de Edward Snowden sobre a ampli-
tude do programa de vigilância eletrônica da Agência de
[10] Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) levantam
a questão da intromissão das agências de inteligência
dos Estados Unidos na vida dos cidadãos. Contudo,
para além do registro de metadados a partir de linhas
telefônicas e da navegação na internet, esse caso revela
[15] outra realidade, também preocupante: a maior parte dos
norte-americanos aprova o controle das comunicações
eletrônicas privadas. ___________________________
____________________________________.
Esse consentimento perante a espionagem nem
[20] sempre existiu nos Estados Unidos. Algumas semanas
antes do atentado de 11 de setembro de 2001, o jornal
USA Today publicava a manchete: “Quatro em cada dez
norte-americanos não confiam no FBI” (20 jun. 2001).
Durante décadas, estudos sucessivos da Secretaria de
[25] Justiça mostraram a forte oposição da população às
escutas telefônicas pelos poderes públicos. Entre 1971 e
2001, a taxa de desconfiança chegou a flutuar entre 70%
e 80%. Mas os atentados contra o World Trade Center e
o Pentágono e, em seguida, a guerra contra o terrorismo
[30] empreendida por George W. Bush mudaram o cenário
e conduziram os norte-americanos a reconsiderar brus-
camente a oposição secular à vigilância de cidadãos.
Após um século de grande oposição, a sociedade
norte-americana aprendeu a renunciar a seu direito à
[35] confidencialidade. Para grande parte da população –
sem lembranças desse passado não muito distante –, o
medo do terrorismo amplamente difundido e a promessa
de respeito aos direitos dos “inocentes” tornaram-se
mais importantes que as aspirações à proteção da vida
[40] privada e das liberdades civis. O “deserto do esqueci-
mento organizado”, segundo a expressão do sociólogo
Sigmund Diamond, deixa o caminho livre para aqueles
que desejam manter a ordem estabelecida.
PRICE, David. Caso Snowden: a história social das escutas telefônicas. (fragmento) In: www.noticiasdabahia.com.br, publicado em 21/08/2013.
( ) O texto 1, mais subjetivo, fundamenta o ponto de vista desenvolvido em argumentos do senso comum.
( ) O texto 2, fortemente marcado no tempo, mobiliza conhecimentos prévios mais específicos do leitor.
( ) No texto 2, as sequências narrativas estão a serviço da argumentação.
( ) Ambos os textos valem-se da opinião de outros autores.
( ) Ambos os textos são notícias, pois partem de um acontecimento particular para discutir questões mais amplas.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é