Leia o Texto 2 para responder à questão.
TEXTO 2
Rio D’Oro [1441]
[1] Não foi Henrique, o navegador, príncipe de Portugal, quem me autorizou o tráfico
de escravas. A verdade é que sempre tive fascínio pela escravidão.
No período em que Rio D’Oro ainda era colônia espanhola, uma negra retinta,
chamada Mãe Joana, foi engravidada por um espírito que não era santo.
[5] Um dia, surpreendendo até os mais íntimos, vomitou fios de ouro numa bacia,
enrolando-os, para, depois, formar novelo de brilhante consistência.
Tomei conhecimento, mais tarde, de que o próprio Henrique, o navegador, príncipe
de Portugal, manejava ágil maquininha no útero dela, como se fosse fiandeiro servil,
para espantar vício típico da terceira estação do ano.
Péricles Prade, Rio D’Oro [1441] in Ao som do realejo, p. 37.
Em relação à obra Ao som do realejo, de Péricles Prade, e ao Texto 2, analise as proposições.
I. A obra de Pécricles Prade enquadra-se na linha do realismo fantástico por acentuar uma distância entre a realidade objetiva e a expressão artística, por meio de uma linguagem simbólica, trazendo o estranho e o extraordinário para dentro da narrativa.
II. Pode-se considerar o sintagma Mãe Joana, no texto, uma marca de intertextualidade, pois remete ao clichê “casa da mãe Joana”.
III. A narrativa, ainda que sutilmente, faz uma crítica ao período colonial.
IV. Embora as narrativas da obra levem a interpretações enigmáticas, Rio D’Oro [1441] pressupõe uma sequência linear, pois indica percurso cronológico.
V. A leitura da short story leva o leitor a inferir um recorte histórico, ainda que apresente um ar irônico.
Assinale a alternativa correta.