Leia o Texto 2 para responder à questão.
TEXTO 2
[1] [...] E tenho encontrado homens bons de serviço que você nem acredita. Altair mesmo
foi um desses. Quando começou a trabalhar comigo não conhecia nem um parafuso da
Mercedinha, que era o caminhão que a gente usava lá na Rio-Bahia. E ele, com aquele jeito
de ficar rindo e passando o pente no cabelo, foi aprendendo, aprendendo, que no fim
[5] conhecia o carro igual a mim. E dava tão certo a gente trabalhar um com o outro que,
quando um carro enguiçava, eu mandava o motorista ir trabalhar num dos nossos, e nós
dois resolvíamos o caso num instante. A gente trabalhava junto sem um atrapalhar o que o
outro estava fazendo. Até no escuro, sem luz, a gente trabalhava. Passamos muito tempo
juntos e fizemos muita coisa que ele estava lembrando lá na casa dele. Como aquele
[10] negócio da dona Olga, e que eu estava achando que não era coisa para ele ficar falando ali
na frente da mulher dele. E falando como se a coisa fosse só comigo e que, na verdade,
havia sido ele quem ficara como se fosse o dono da casa da dona Olga. Fora ele quem, no
fim, tomara conta e quem ficara mandando, e até dizendo quanto a gente tinha que pagar.
E tudo tinha sido ideia dele.
FRANÇA JÚNIOR, Oswaldo. Jorge, um brasileiro. 10ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, pp. 85/86.
Analise as proposições, tendo como base a obra Jorge, um brasileiro e o Texto 2.
I. Da leitura da obra e do Texto 2, depreende-se que a dona Olga a quem o excerto faz referência é a patroa de Jorge e de Altair, ambos motoristas de caminhão.
II. Da leitura da obra e do Texto 2, depreende-se que, ao enunciar “lá na Rio-Bahia” (linha 3), o narrador está se referindo à construção da estrada do trecho entre Rio e Bahia, como já ocorrera na construção de outros trechos de estradas em que eles trabalharam.
III. Da leitura da obra e do Texto 2, depreende-se que em “E tudo tinha sido ideia dele” (linha 14), o termo destacado se refere às trapaças de dinheiro que os caminhoneiros costumavam fazer à dona Olga.
IV. A palavra “você” (linha 1) dirigida a um interlocutor, o uso frequente do “a gente”, do “que”, do “e” no início das orações, juntamente com a disposição das frases, entre outras marcas, conferem à linguagem empregada no Texto 2 um tom de conversa.
Assinale a alternativa correta.