“Nós, Constantino Augusto e Licínio, Imperadores, encontrando-nos reunidos para conferenciar a respeito do bem e da segurança do império, decidimos que, entre tantas coisas benéficas à comunidade, o culto divino deve ser a nossa primeira e principal preocupação. Pareceu-nos justo que todos, cristãos, inclusive, gozem da liberdade de seguir o culto e a religião de sua preferência. Assim Deus que mora no céu ser-nos-á propício a nós e a todos nossos súditos. [...] Decretamos, portanto, que, não obstante a existência de anteriores instruções relativas aos cristãos, os que optarem pela religião de Cristo sejam autorizados a abraçá-la sem estorvo ou empecilho, e que ninguém absolutamente os impeça ou moleste. [...] Observai, outrossim, que também todos os demais terão garantia à livre e irrestrita prática de suas respectivas religiões, pois está de acordo com a estrutura estatal e com a paz vigente que asseguremos a cada cidadão a liberdade de culto segundo sua consciência e eleição; não pretendemos negar a consideração que merecem as religiões e seus adeptos. [...] Use-se da máxima diligência no cumprimento das ordenanças a favor dos cristãos e obedeça-se a esta lei com presteza, para se possibilitar a realização de nosso propósito de instaurar a tranqüilidade pública. Assim continue o favor, já experimentado em empreendimentos momentosíssimos, outorgando-nos o sucesso, garantia do bem comum.”
BETTENSON, H. Documentos da Igreja Cristã. São Paulo: Aste, 1967, p.44-5.
O documento acima é um fragmento do Edito de Milão, em que o Imperador Constantino promove a liberdade de culto e reconhece o cristianismo, seita popularizada entre a grande massa oprimida pelo Império Romano. Ao analisar o seu governo, podemos depreender que:
I. Compreendendo a necessidade da sanção religiosa para um governo de caráter despótico, Constantino procurou criar uma base de apoio de caráter religioso.
II. Continuador direto da obra de Diocleciano, depois de haver aperfeiçoado o novo sistema de governo absoluto, Constantino encontrou no Cristianismo a sua base ideológica.
III. Desse modo, o Império Romano passaria a ser regido por uma nova monarquia: a monarquia cristã, pela graça de Deus.
IV. Ainda que conservando uma posição de tolerância religiosa, Constantino dotou a Igreja cristã com uma série de privilégios, entre os quais, o direito de os bispos e sacerdotes de exercerem funções políticas, administrativas e judiciárias no Império.
Assinale a alternativa correta: