“Paradoxalmente – mas esse é um ensinamento inegável da História Social – foi necessário desindividualizar os indivíduos para que eles se tornassem indivíduos inteiros. É o pertencimento a coletivos que dá direitos. [...] Por exemplo, o direito à aposentadoria consiste em uma pensão que se torna realmente um direito para o trabalhador idoso e que, em princípio, deve permitirlhe continuar a se sustentar a si mesmo. A aposentadoria é atribuída pessoalmente ao trabalhador e ele é livre para dispor dela como indivíduo. Mas a aposentadoria como direito é a consequência do fato de que ele pertenceu a um coletivo de trabalhadores e contribui com a previdência social durante certo número de anos, a fim de satisfazer às exigências coletivas de seu sistema de aposentadoria, entre outras coisas. A individualidade do trabalhador, então, é garantida à medida que ele é inscrito em um sistema de proteções coletivas.” (CASTEL, R. As ambiguidades da promoção do indivíduo. Apud SAVIAN FILHO, J. Filosofia e filosofias: existência e sentidos. Belo Horizonte: Autêntica, 2016, p. 219).
Sobre a questão da justiça e da desigualdade nas sociedades contemporâneas, assinale o que for correto.
01) Segundo Castel, o direito à aposentadoria causa desigualdades entre os indivíduos, pois alguns devem trabalhar para garantir o sustento de outros que deixaram de trabalhar.
02) A teoria do liberalismo clássico atribui a existência de desigualdades sociais às diferentes capacidades e interesses dos indivíduos.
04) Segundo Castel, as liberdades individuais são limitadas pelos direitos coletivos em troca dos benefícios que esses concedem.
08) Segundo o filósofo Karl Marx, as desigualdades sociais surgem a partir do acúmulo de bens e de capital por alguns indivíduos à custa da exploração do trabalho de outros.
16) A existência de direitos coletivos, como o direito à aposentadoria, impede a plena efetivação dos direitos individuais, como o direito à propriedade.