Se Ricardo Reis simboliza uma forma humanística de ver o mundo, evidente na adesão ressuscitadora do espírito da Antiguidade clássica e do paganismo, Álvaro de Campos é o poeta moderno, embebido do século XX, engenheiro de profissão. Já Alberto Caeiro foge para o campo, pois deve procurar viver simplesmente, como as flores, os regatos, as fontes, os prados. Contemporâneo da Guerra de 1914, Fernando Pessoa vive a crise provocada pela necessidade de abandonar as velhas e tradicionais formas de civilização e da cultura burguesa; em resposta a isso, viu-se num espelho de múltiplas faces e possibilidades, dos mitos às formas futuristas, e representou a todas.
(Baseado em Massaud Moisés.A literatura portuguesa. São Paulo: Cultrix, 1965, p. 347-350)
No contexto histórico que antecedeu à Guerra, a que o texto de Mussaud Moisés faz referência,
I. o equilíbrio da ordem internacional entre as nações europeias fundamentava-se no fim da política de compensações territoriais praticada pelas nações imperialistas em sua expansão mundial e no enfraquecimento do nacionalismo pela ascensão das democracias liberais nos países do continente.
II. ao mesmo tempo em que o nível de mecanização industrial cresceu e novas fontes de energia passaram a ser utilizadas, surgiram grandes corporações empresariais que passaram a influir no mercado, comandando a transição do capitalismo concorrencial para o monopolista.
III. o aparecimento de várias potências industriais e as guerras comerciais foram responsáveis pela elevação das tensões internacionais e transformaram a Europa num verdadeiro “barril de pólvora”. IV. a emergência de ideologias socialistas e as revoluções operárias desajustaram as relações entre os países capitalistas, provocando um escasso crescimento econômico das nações do continente europeu.
Está correto o que se afirma SOMENTE em