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Avanços nas cirurgias com os pacientes acordados desvendam o cérebro
Análises abrem uma avenida de descobertas em torno do mais fascinante órgão do corpo humano
Por Giulia Vidale - Atualizado em 13 mar 2020, 10h43 - Publicado em 13 mar 2020, 06h00.
O neurocirurgião americano Henry Marsh, autor
de um best-seller sobre sua atividade, Não
Faças Mal, de 2014, costuma descrever a sala
de um centro cirúrgico como um “teatro”. Foi
[05] nesse teatro que a alemã Dagmar Turner, de 53
anos, executou ao violino trechos de canções
clássicas de George Gershwin, da Sinfonia Nº 5
de Gustav Mahler e alguma coisa do repertório
de Julio Iglesias, porque ninguém é de ferro.
[10] O espetáculo durou três horas. O detalhe:
Dagmar estava sendo submetida a uma
intervenção cerebral com o crânio aberto no
hospital King’s College, em Londres. O vídeo
viralizou nas redes sociais — com o perdão pelo
[15] uso de uma expressão um tanto indelicada em
tempos de coronavírus.
A vigília é fundamental porque, dados os
conhecimentos cada vez mais amplos sobre o
funcionamento do cérebro, que o escritor Bill
[20] Bryson chama de “a coisa mais extraordinária
do universo”, é imperativo acompanhar a
atividade neurológica permanentemente, como
se os especialistas fossem o maestro de uma
sinfonia executada por um órgão com mais de
[25] 100 bilhões de neurônios, que formam
100 trilhões de conexões. “O encéfalo aberto
permite verificar, em tempo real, a resposta de
quem está sendo operado e é sinônimo de
redução de danos neurológicos”, diz o
[30] neurocirurgião Eduardo Carvalhal Ribas, do
Hospital Albert Einstein. Em pacientes com
Parkinson, por exemplo, o médico precisa
implantar um eletrodo no lugar exato do cérebro
que causa os tremores. A única forma de saber
[35] se o implante está no local correto, e se houve
sucesso, é verificar se o paciente parou de
tremer. E isso só pode ser feito com atenção
máxima. Já no zelo com tumores, como no caso
de Dagmar, há controle absoluto de funções
[40] essenciais e delicadas, como a de emitir notas
musicais das cordas de um instrumento. A
resposta é simples e rápida: se o eletrodo atingir
uma região associada a essa função,
imediatamente o paciente parará de tocar ou
[45] errará. Dessa forma, o médico sabe que não
deve remover determinado ponto para manter
uma habilidade tão específica. “Além da
redução do risco de sequelas graves, os
benefícios desse tipo de cirurgia incluem
[50] melhores resultados no tratamento, período
menor de internação e recuperação mais
rápida”, diz o neurocirurgião Guilherme
Carvalhal Ribas, do Hospital Albert Einstein. Em
tempo: sem dor, porque na carcaça do edifício
[55] cerebral não há terminações nervosas.
Disponível em: https://veja.abril.com.br/ciencia/avancosnas-cirurgias-com-os-pacientes-acordados-desvendam-ocerebro/. Acesso em: 03 jun. 2020.
Ao se afirmar que os especialistas são como maestros de uma sinfonia executada por um órgão com mais de 100 bilhões de neurônios, foi empregada uma