A série "13 Reasons Why", pertencente ao catálogo da Netflix, narra a história de Hanna Backer: vítima de "bullying" no colégio, a jovem, que não teve amparo nem da escola e nem do Estado, comete suicídio. Fora da ficção, especialmente no Brasil, país mais depressivo da América Latina, cenas como essa são comuns, cada vez mais, devido ao estigma atribuido às doenças mentais. Dessa forma, urge analisar as causas, as consequências e desenvolver estratégias concretas para reverter esse quadro.
Diante desse cenário, sabe-se que, no ambiente escolar, existe uma carência na abordagem básica - quais são, como se manifestam e o que fazer - das doenças psicossomáticas. Isso porque a Base Nacional Comum Curricular não apresenta uma disciplina que aborde tal temática. Segundo Rubem Alves, importante educador brasileiro, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, ou seja, podem proporcionar voos ou condições de alienação. Nesse sentido, os colégios funcionam como gaiolas, pois permitem que os estudantes permaneçam desprovidos de informações pertinentes sobre as patologias mentais. Consequentemente, muitas pessoas passam a estereotipar e a discriminar quem precisa de ajuda e, assim, ao banalizar o sentimento e o sofrimento do outro, de modo a reduzir a “frescura”, essa estigmatização perversa dificulta - ainda mais - a procura de ajuda profissional (psicólogos e psiquiatras), como aconteceu com a protagonista da série.
Além disso, nota-se que o Estado também contribui para a persistência do estigma em relação às doenças mentais, haja vista que não estimula o autoconhecimento e pouco investe na contratação de profissionais especializados. De acordo com o filósofo Friedrich Hegel, o Estado deve proteger os seus filhos. Entretanto, a prática deturpa a teoria, pois, apesar da existência do “Setembro Amarelo”, campanha que incentiva a valorização da vida, nos demais meses, pouco (ou nada) é feito para ensinar às pessoas que ninguém é perfeito, que todos temos limitações e a importância de saber procurar ajuda. O fator preocupante é que as Unidades Básicas de Saúde, muitas vezes, não possuem psicólogos e psiquiatras para ajudar a quem, porventura, precisar.