A sociedade brasileira exclui, segrega, silencia, invalida e interdita as mulheres e as suas conquistas. Nesse sentido, a universalização do acesso à cidadania é o principal desafio que precisa ser enfrentado para que a invisibilidade do trabalho de cuidado feminino, no Brasil, seja superada. Desse modo, não só é imprescindível compreender esse nocivo processo de exclusão, como também é crucial promover uma mudança atitudinal significativa.
Em primeiro lugar, de acordo com o filósofo italiano Norberto Bobbio, em sua obra "Teoria Geral da Política", todos os sujeitos pertencem a uma mesma categoria de cidadão, haja vista que seus direitos são igualmente relevantes para o Estado. No entanto, no Brasil, há um pensamento retrógrado e extremamente equivocado – manifestado por uma parcela significativa da população – de que o cuidado dos filhos e da casa é uma tarefa exclusivamente feminina. A exemplo disso, meninos são educados para serem esportistas, visto que recebem bolas de futebol de presente, e meninas são instruídas, desde muito cedo, a realizarem tarefas domésticas e cuidarem de bebês, uma vez que os presentes que elas recebem são bonecos e panelas de plástico. Dessa forma, torna-se evidente que a invisibilidade do trabalho de cuidado feminino é uma consequência do impedimento da universalização da cidadania.
Além disso, outro grande desafio a ser superado para a resolução dessa problemática é a mudança comportamental. Nesse viés, conforme o pensamento do psicólogo Albert Bandura, criador da "Teoria Social Cognitiva", a imitação é uma das principais formas de aprendizado e ocorre por intermédio da prévia observação da realidade. Dito isso, para que o trabalho de cuidado realizado pelas mulheres tenha a devida visibilidade, é indispensável que todos manifestem a conduta de reconhecer a importância dessa tarefa e do compartilhamento dela: os homens devem dividir igualmente o trabalho de cuidado.
Posto isso, compete ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com o intuito de garantir a universalização da cidadania e a modificação atitudinal necessária, a execução do programa "Visibilidade do Trabalho de Cuidado Feminino”. Por meio dessa iniciativa, serão implementadas oficinas com famílias, em centros comunitários municipais, ministradas por psicólogas que abordarão os seguintes eixos temáticos: reflexão sobre estereótipos de gênero, compartilhamento de tarefas de cuidados com os homens, incentivo ao protagonismo social feminino. Ademais, paralelamente, a visibilidade do trabalho de cuidado feminino será alvo de uma campanha publicitária. Assim, a cidadania será universalizada e a invisibilidade superada.