Na série brasileira "Cidade Invisível", parte da trama é composta por uma população ribeirinha - que utiliza os recursos da floresta e do rio para subsistência - sendo ameaçada por uma empresa em busca de lucro com a exploração da região. Fora da ficção, esse cenário é verossímil com a realidade do país, já que há uma nociva marginalização dos povos tradicionais, como indígenas, ciganos e populações ribeirinhas. Nesse sentido, a expansão do capital e preconceito são desafios importantes para a valorização desses indivíduos.
Diante do exposto, nota-se que o crescimento econômico desenfreado gera conflitos para as comunidades originais. Isso porque, atualmente, expansão do capital ocorre em detrimento da existência desses povos, já que, no Brasil, a acumulação financeira está intimamente relacionada ao uso da terra, ocupada, em parte, por grupos tradicionais. Um exemplo disso é o fenômeno geográfico e econômico da invasão de espaços historicamente indígenas pelos produtores de soja - principal produto do agronegócio brasileiro - para plantarem mais e, assim, lucrarem mais com a exportação dessa mercadoria. Sob tal ótica, os cidadãos nativos perdem brutalmente seus territórios e seus direitos básicos de moradia devido à lógica empresarial de lucrar a todo custo. Logo, o Estado precisa agir ativamente em relação a essa situação hostil a que os indígenas estão sendo submetidos.
Ademais, observa-se que o preconceito é um obstáculo para o enfrentamento da temática. Tal premissa deve-se à disseminação massiva - oriunda de uma herança eurocêntrica que desvaloriza culturas distintas - de estereótipos degradantes sobre grupos minoritários, como quilombolas e ciganos. Consequentemente, há a criação, no imaginário social, de uma visão negativa acerca desses povos, gerando uma marginalização, e uma exclusão deles em relação à sociedade. Para ilustrar, nota-se a animação "O Corcunda de Notre Dame", na qual uma personagem cigana é fortemente desrespeitada e invisibilizada socialmente devido ao preconceito contra essa cultura. Fora das telinhas, apesar de ficcional, a obra retrata uma situação que é a terrível realidade de muitos povos tradicionais. Então, essa discriminação precisa ser urgentemente combatida pelas escolas.
Fica evidente, portanto, que mudanças são importantes para a atenuação da conjuntura brasileira. A princípio, cabe ao Estado - responsável pelo bem-estar do povo - mediar os conflitos entre empresários agricultores e grupos tradicionais, por meio da proteção dos territórios ocupados por essas minorias, da fiscalização constante de tais locais e da aplicação de multas aos infratores, no afã de assegurar as moradas da população nativa e de conter o avanço desmedido do capital. Concomitantemente, é dever das escolas - principais responsáveis pela formação crítica cidadã - impedir a disseminação de preconceitos contra grupos tradicionais, por intermédio de palestras informativas e de rodas de conversa sobre o tema, com o fito de educar a nova geração para incluir e para acolher os pertencentes a esses povos. Assim, será possível, enfim, que a série " A Cidade Invisível' não seja mais tão verossímil com o contexto do Brasil.