Consoante a Constituição Federal de 1988, documento de máximo dever de cidadania, o trabalho é um direito de todos os brasileiros. No entanto, é lamentável que muitas pessoas, sobretudo do sexo feminino, enfrentem dificuldades no seu serviço na sociedade hodierna, o que acarreta prejuízos à dignidade dessa população. Nessa perspectiva, convém analisar os principais desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher, os quais envolvem a negligência governamental e a desigualdade socioeconômica.
Acerca disso, faz-se necessário ressaltar a omissão do poder político como um dos obstáculos para a superação do desamparo do labor doméstico e de assistência exercido por meninas e mulheres. De acordo com a antropóloga Lilia Schwarcz, há uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser ignorados, deixando de receber a visibilidade necessária. Nesse viés, ao considerar sua relevante fundamentação, infere-se que o Governo não apresenta interesse em proporcionar um serviço digno aos indivíduos do gênero feminino, agravando o bem-estar dessas pessoas. Logo, enquanto o Estado não cumprir com os seus compromissos de garantir um trabalho em que as mulheres sejam valorizadas, elas continuarão delegadas à família.
Ademais, destaca-se a discrepância econômica como outra adversidade para o enfrentamento da invisibilidade da atividade de amparo praticada por cidadãs do sexo feminino. Segundo relatório da ONU, o Brasil está entre os países mais desiguais do mundo, contexto que impede, muitas vezes, acesso à saúde, frequência escolar e, até mesmo, emprego de qualidade. Nessa lógica, é notório que a desigualdade compromete a conquista de um trabalho bem remunerado pelas mulheres, visto que muitas precisam dedicar-se exclusivamente ao cuidado com a família e com o lar, o que afeta a integridade dessas pessoas. Com isso, torna-se urgente coibir as disparidades sociais, sob pena de essa população seguir enfrentando as convenções de gênero.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar os desafios para a superação do desamparo do serviço de cuidados realizado pelas mulheres. Com a finalidade de acabar com os impasses do labor de assistência feito pelas pessoas do sexo feminino, urge que o Governo - responsável por organizar o local de um povo – crie campanhas de valorização do trabalho dessas cidadãs, por meio da publicação de vídeos nas redes sociais dessa instância, garantindo, como efeito, a qualidade de vida dessas mulheres. Além disso, a fim de reduzir a desigualdade econômica entre as trabalhadoras de cuidado, é necessário que o Estado assegure um salário aquedado a essas pessoas. Assim, a partir dessas iniciativas, a invisibilidade do serviço de cuidado exercido pela mulher deixará de ser uma realidade na nação, conforme prevê a Constituição Cidadã.