Na Idade Antiga, a cidade grega de Atenas caracterizou-se por ter uma estrutura social altamente hierarquizada e machista, na qual cabia às mulheres apenas os deveres matrimoniais e domésticos. Nesse enfoque, para além de contextos históricos e de traços culturais distintos, é fundamental analisar a grave invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pelo segmento feminino no Brasil, bem como os nefastos desafios para o seu enfrentamento: o deplorável preconceito de gênero e a disfuncionalidade de práticas educacionais. Assim, é fulcral nessa competente discussão acerca desses aspectos, com o intuito de impulsionar o satisfatório funcionamento da sociedade.
Diante desse cenário, convém mencionar a danosa infl uência da discriminação de gênero na questão supracitada. Sobre essa ótica, a renomada fi lósofa Judith Butler - em sua obra "Problemas de Gênero" - denuncia a invisibilidade e a inferiorização sofridas pelo grupo feminino, com atos traduzidos não só uma violência física, como também na dolorosa propagação de discursos misóginos e sexistas. Nesse sentido, a função de cuidar da casa e da família é atribuída às mulheres, em razão de essas serem consideradas "frágeis" e "incapazes" para o exercício do trabalho profi ssional e para a efetiva participação sociopolítica no território nacional - realidade comprovada pelo portal G1, o qual indicou que 51,2% das brasileiras são delegadas à responsabilidade exclusiva do cuidado doméstico, sem o devido reconhecimento familiar. Logo, tais arbitrariedades evidenciam uma lamentável afronta à cidadania feminina e, ainda, contribuem para o severo retrocesso da nação.
Ademais, é propício ressaltar a limitada abordagem escolar relativa à igualdade de gênero. Sobre esse prisma, a ínfi ma análise sobre os papéis socialmente impostos às mulheres e aos homens, em densa parte das instituições de ensino nacionais, fomenta a desvalorização à fi gura feminina no Brasil contemporâneo - procedimento contrário às lições freirianas de educação emancipatória. Nessa perspectiva, naturaliza-se a invisibilização mulheril, além de se normalizar o cuidado doméstico destinado a elas, com a perpetuação de uma mentalidade arcaica e machista. Desse modo, essa frustrante falha educacional lesiona o empoderamento do segmento feminino, por isso, necessita ser urgentemente combatida.