Nas obras literárias pertencentes à Primeira Geração Romântica, notou-se a frequente exaltação do índio - que é caracterizado como um herói nacional. Na atualidade, todavia, tal pensamento é escasso, uma vez que, lamentavelmente, há uma nítida desvalorização das comunidades e dos povos tradicionais no Brasil, gerando impactos culturais e sociais. Logo, é fulcral analisar como a inobservância do governo e o descaso das escolas atuam como os principais desafios inerentes a essa mazela.
Diante desse cenário, é válido salientar a intrínseca relação entre a omissão governamental e os entraves relacionados à desvalorização dos grupos tradicionais no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é responsabilidade do Estado zelar pelo bem-estar e pela integridade dos cidadãos. Nota-se, contudo, que, na prática, esse dever não é cumprido, haja vista a notória escassez de políticas públicas direcionadas à eficaz proteção das comunidades tradicionais. Observa-se tal situação a partir da ínfima fiscalização das áreas destinadas às aldeias indígenas e aos quilombos, que são, cada vez mais, alvos de invasões por grandes empresas exploradoras dos recursos naturais, provocando mortes e destruição. Por conseguinte, aumenta-se a fragilização e o apagamento da cultura desses indivíduos. Assim, ratifica-se que a inoperância do governo é um alarmante empecilho à plena exaltação dos povos tradicionais.
Ademais, a postura inerte dos centros de ensino também é um obstáculo ao ato de valorizar as comunidades e os povos tradicionais na nação. Sob a ótica de Paulo Freire, as escolas devem promover a educação libertadora, a qual é capaz de formar cidadãos autônomos e detentores de uma visão de mundo ampliada. Grande parte dos colégios, entretanto, destoa desse pensador, posto que há uma evidente priorização de metodologias tradicionais, as quais privilegiam conteúdos curriculares em detrimento de abordagens mais práticas, como o ensino da cultura e das tradições das comunidades nativas. Em decorrência desse contexto, formam-se, em muitos casos, estudantes desinformados e dotados de perspectivas estereotipadas acerca de ribeirinhos e de quilombolas, por exemplo. Dessa maneira, enquanto as escolas negligenciarem essa questão, os povos tradicionais serão cada vez mais segregados e desvalorizados.