Tu achas que sou uma selvagem / E que conheces o mundo / Tu pensas que esta terra te pertence" Os versos do filme da Disney "Pocahontas" revelam a percepção de uma indígena norte-americana diante da chegada de colonizadores ingleses em sua terra. Nesse contexto de desvalorização dos povos locais, evidencia-se a similaridade da obra com o cenário brasileiro, dada a falta de reconhecimento atribuída às comunidades tradicionais do país. Dessa forma, os desafios para a valorização de tais populações apoiam-se seja na carente abordagem do tema na educação e na mídia, seja na lógica predatória do mercado capitalista vigente no território nacional.
Nesse viés, constata-se que as escolas e os aparatos de comunicação do Brasil, frequentemente, não se preocupam em proporcionar informações e discussões sobre a temática. Sob essa perspectiva, o conceito de "Epistemicídio, cunhado pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos, revela o apagamento e a posterior morte de modos de vida, de saberes e de valores de grupos sociais. bem como o favorecimento dos desígnios do colonialismo em detrimento da diversidade cultural. Tal ideia apresenta-se extremamente presente na sociedade brasileira, uma vez que, na maioria dos casos, as instituições escolares e os veículos midiáticos disseminam a cultura hegemônica, negligenciando as tradições dos povos originários - a exemplo da história do país ensinada nas salas de aula, baseada na perspectiva europeia, além dos filmes, das músicas e dos livros disseminados na mídia. Por conseguinte, por não ser suficientemente debatido nas principais instâncias da nação, o reconhecimento dessas comunidades, sendo, dessa maneira, silenciado no país.
Ademais, a economia do Brasil, baseada principalmente no lucro, é responsável por prejudicar a relação das populações tradicionais com a terra, sua principal fonte de sobrevivência. Diante disso, o "Princípio responsabilidade", ideia desenvolvida pelo filósofo Hans Jonas, defende que os seres humanos devem tomar decisões comprometidas com a coletividade e com o futuro social, e não apenas com interesses individuais a curto prazo. No entanto, observa-se que as autoridades governamentais não cumprem tal proposta, pois as demandas das sociedades dependentes diretamente da natureza são gravemente afetadas perante a expansão da fronteira agropecuária, as queimadas e os desmatamentos práticas de interesse do agronegócio, indústria altamente lucrativa. Logo, a irresponsabilidade do poder público impede a garantia da dignidade dos povos locais, os quais têm sua fonte de moradia, de alimentação e de tradições destruída.