Em sua obra "O Cidadão de Papel", Gilberto Dimenstein aborda a desvalorização de alguns indivíduos na sociedade brasileira, uma vez que boa parte dos direitos humanos está apenas registrada no papel, ou seja, não está sendo exercida na prática. Diante disso, no cenário hodierno, a visão do autor é verificada na questão dos desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil. Nesse sentido, observa-se um delicado confronto que tem como razões a negligência de leis, bem como a falta de informação.
Em primeira análise, vale ressaltar que a insuficiência da legislação intensifica o desafio de conservar as diferentes organizações sociais. A Constituição Brasileira de 1988 busca garantir a integridade dos seres vivos e o meio em que vivem. Sob essa perspectiva, a esfera legislativa rompe esse raciocínio em relação à cultura e à sociedade, visto que, muitas vezes, as comunidades distintas não são reconhecidas, principalmente os quais integram na importância da preservação do meio ambiente e do envolvimento na economia, devido à escassez da implantação da lei, com rigor, em reconhecimento de diversos povos da natureza e seus hábitos culturais. Assim sendo, infere-se que a ação legislativa não foi capaz de garantir a valorização de diferentes organizações sociais.
Em segunda análise, é importante destacar que a falta de informação permite o desafio de preservar as comunidades e os grupos tradicionais. Em sua obra "A República", Platão narra "A Alegoria da Caverna", em que os prisioneiros acorrentados em uma cova veem somente sombras refletidas na parede e eles acreditam que são reais. Nessa perspectiva, em situação análoga à metáfora, no contexto atual, os brasileiros que não têm conhecimento acerca das culturas e sociedades distintas vivem na escuridão, isto é, na ignorância, haja vista que não reconhecem os diversos hábitos culturais e nem preservam os territórios dos indígenas, quilombolas, pescadores e entre outros devido à escassez da consciência dos intolerantes sobre a importância dessas comunidades e povos tradicionais em proteger o meio ambiente. Dessa forma, deduz-se que a ignorância contribuiu para a desvalorização dos grupos dos saberes ancestrais.
Portanto, o governo – agente responsável por zelar pela nação –, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social, deve garantir o reconhecimento das organizações sociais do ecossistema, por todo o Brasil, por meio da aplicação da lei, com rigor, com o intuito de valorizar as comunidades e os povos tradicionais da pátria verde-amarela, e também preservar a natureza, para uma sociedade mais justa e igualitária. Ademais, é necessário a realização de debates sobre o reconhecimento e a conservação dos grupos da biodiversidade, a fim de que a população tome conhecimento e valorize-os. Dessa maneira, feito isso, não haverá mais "cidadãos de papel", consoante a visão de Dimenstein.