Leia o seguinte trecho, retirado da narrativa “Minha gente”, de Guimarães Rosa.
Quando vim, nessa viagem, ficar uns tempos na fazenda do meu tio Emílio, não era a primeira vez. Já sabia que das moitas de beira de estrada trafegam para a roupa da gente umas bolas de centenas de carrapatinhos, de dispersão rápida, picadas milmalditas e difícil catação; que a fruta mal madura da cagaiteira, comida com sol quente, tonteia como cachaça; que não valia a pena pedir e nem querer tomar beijos às primas; que uma cilha bem apertada poupa o dissabor na caminhada; que parar à sombra da aroeirinha é ficar com o corpo empipocado de coceira vermelha; que, quando um cavalo começa a parecer comprido, é que o arreio está saindo para trás, com o respectivo cavaleiro; e, assim, longe outras coisas. Mas muito mais outras eu ainda tinha que aprender.
Por aí, logo ao descer do trem, no arraial, vi que me esquecera de prever e incluir o encontro com Santana. E tinha a obrigação de haver previsto, já que Santana – que era também inspetor escolar, itinerante, com uma lista de dez ou doze municípios a percorrer – era o meu sempre-encontrável, o meu “até-as-pedras-encontram” – espécie esta de pessoa que todos em sua vida têm.
(ROSA, Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, s.d., p. 191.)
Com base na leitura do excerto, e levando em conta a narrativa completa, é correto afirmar que a feição social do narrador corresponde à de um: