Leia um trecho do conto “O mata-pau”, de Monteiro Lobato, em que o narrador, em visita, pela primeira vez, à Serra do Palmital, pede ao capataz da fazenda que lhe explique o que é mata-pau.
– Onde? Perguntei, tonto.
– Aquele fiapinho de planta, ali no gancho daquele cedro, continuou o cicerone, apontando uma parasita mesquinha grudada na forquilha de um galho, com dois filamentos escorridos para o solo. Começa assinzinho, bota pra baixo esse fio de barbante na tenção de pegar a terra. E vai indo, sempre naquilo, nem pra mais nem pra menos, até que o fio alcança o chão. E vai então o fio vira raiz e pega a beber a substância da terra. A parasita cria fôlego e cresce que nem embaúba. O barbantinho engrossa todo dia, passa a cordel, passa a corda, passa a pau de caibro e acaba virando tronco de árvore e matando a mãe – como este aqui, concluiu, dando com o cabo do relho no meu mata-pau.
(Urupês, editora Brasiliense, 1972. Adaptado)
Vocabulário
tenção: intenção
relho: chicote de couro torcido com cabo de madeira
cicerone: pessoa que mostra ou explica a visitantes ou a turistas
os aspectos importantes ou curiosos de um determinado lugar.
É correto afirmar que, na fala do capataz, predominam a linguagem