Leia o texto abaixo, de Chico Buarque de Holanda.
Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário
Que custa tanto a se acabar
Por isso às vezes ela para
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança
Onde não se escolhe o par
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Puxa, que vida danada
Tem tanta calçada pra se caminhar
Mas toda santa madrugada
Quando uma já sonhou com Deus
E a outra, triste namorada
Coitada, já deitou com os seus
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor
Que dia! Cruzes, que vida comprida
Pra que tanta vida pra gente desanimar
Podemos considerar que
I. as personagens do poema representam uma religiosa e uma prostituta, tanto por suas ações e atribuições, quanto pela linguagem em discurso direto que usam.
II. o antagonismo que separa as duas personagens se desfaz pela dor que as une.
III. no texto, há presença de discurso direto, com verbo dicendi implícito, e indireto, com verbo dicendi expresso.
IV. no texto, a palavra “conta”, nos dois registros, tem sentido diferente, um concreto, o outro abstrato.
Estão corretas