TEXTO
O culto à forma: saúde, vaidade ou escravidão?
Graças a uma determinada filosofia moderna que preconiza a escravidão à anatomia, a cirurgia plástica vive o seu ápice.
Embora algumas mulheres ainda confundam bisturi com varinha de condão, a maioria já sabe que esse ramo da medicina não faz mágicas e que, para conservar a beleza, alguns sacrifícios são obrigatórios: dietas, exercícios físicos, cuidados com a pele etc. E, a favor do batalhão de pessoas – aí incluídos cada vez mais homens – que optam pela reformulação estética numa mesa cirúrgica, um fato novo anima e incrementa o mercado: não é mais vergonhoso confessar que se recorreu ao bisturi para melhorar a aparência do corpo.
Apenas no mês de março, nas grandes cidades brasileiras, foram realizadas 30% a mais de cirurgias plásticas do que em fevereiro do ano passado. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a expectativa é de que sejam 100 mil cirurgias estéticas até o final do ano no País.
Um segundo ponto por que a beleza virou obsessão é o medo do envelhecimento, tanto mais forte quanto mais cresce a expectativa de vida. Outro motivo que explica a procura da beleza é que as empresas não hesitam em preterir o feio em benefício do bonito... Nada há de inédito nessa teia de regras. Normas de comportamento, mais ou menos explícitas, existem em todas as sociedades.
Se a tirania da beleza, mesmo criando ansiedade, serve para melhorar os padrões de vida das pessoas, então é mais inteligente contornar os excessos e aceitar com alegria tudo aquilo que ela traz de positivo. Os ganhos são óbvios, desde que se pratique a moderação.
Adaptado de: A vitória sobre o espelho. In: Veja, 1995, e de Escravas de um corpo perfeito. In: IstoÉ, 1995.
Analise os efeitos de sentido de certos fragmentos do Texto e os comentários acerca dos sentidos que tais fragmentos expressam.
1) Em: “Graças a uma determinada filosofia moderna que preconiza a escravidão à anatomia, a cirurgia plástica vive o seu ápice”, o fragmento destacado expressa causalidade.
2) Em: “Embora algumas mulheres ainda confundam bisturi com varinha de condão, a maioria já sabe que esse ramo da medicina não faz mágicas”, o fragmento sublinhado expressa concessão.
3) Em: “não é mais vergonhoso confessar que se recorreu ao bisturi para melhorar a aparência do corpo”, o fragmento destacado expressa temporalidade.
4) Em: “Os ganhos são óbvios, desde que se pratique a moderação”, o fragmento destacado expressa condicionalidade.
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