A civilização “pós-moderna” culminou em um
progresso inegável, que não foi percebido antecipadamente,
em sua inteireza. Ao mesmo tempo, sob o “mau uso” da
ciência, da tecnologia e da capacidade de invenção nos
[5] precipitou na miséria moral inexorável. Os que condenam a
ciência, a tecnologia e a invenção criativa por essa miséria
ignoram os desafios que explodiram com o capitalismo
monopolista de sua terceira fase.
Em páginas secas premonitórias, E. Mandel*
[10] apontara tais riscos. O “livre jogo do mercado” (que não é e
nunca foi “livre”) rasgou o ventre das vítimas: milhões de
seres humanos nos países ricos e uma carrada maior de
milhões nos países pobres. O centro acabou fabricando a
sua periferia intrínseca e apossou-se, como não sucedeu
[15] nem sob o regime colonial direto, das outras periferias
externas, que abrangem quase todo o “resto do mundo”.
Florestan Fernandes, Folha de S. Paulo, 27/12/1993.
(*) Ernest Ezra Mandel (1923Ͳ1995): economista e militante político belga.
O emprego de aspas em uma dada expressão pode servir, inclusive, para indicar que ela
I. foi utilizada pelo autor com algum tipo de restrição;
II. pertence ao jargão de uma determinada área do conhecimento;
III. contém sentido pejorativo, não assumido pelo autor.
Considere as seguintes ocorrências de emprego de aspas presentes no texto:
A. “pós-moderna” (L. 1);
B. “mau uso” (L. 3);
C. “livre jogo do mercado” (L.10);
D. “livre” (L. 11);
E. “resto do mundo” (L. 16).
As modalidades I, II e III de uso de aspas, elencadas acima, verificam-se, respectivamente, em