Leia o texto de Steven Pinker para responder à questão.
O homem não vive só de pão, nem de know-how, segurança, filhos ou sexo. As pessoas no mundo inteiro empregam o máximo de tempo que podem em atividades que, na luta para sobreviver e reproduzir-se, parecem sem sentido. Em todas as culturas, as pessoas contam histórias e recitam poesia. Elas gracejam, riem, caçoam. Cantam e dançam. Decoram superfícies. Executam rituais. Refletem sobre as causas da sorte e do azar e têm crenças acerca do sobrenatural que contradizem tudo o mais que conhecem sobre o mundo. Inventam teorias sobre o universo e o lugar que nele ocupam.
Como se isso já não fosse suficientemente intrigante, quanto mais biologicamente frívola e vã é uma atividade, mais as pessoas a exaltam. Arte, literatura, música, sátira, religião e filosofia são consideradas não só diletantes1 , mas nobres. São a melhor obra da mente, o que faz a vida digna de ser vivida. Por que nos empenhamos pelo trivial e fútil e os vivenciamos como sublimes? Para muitas pessoas instruídas, essa pergunta parece horrivelmente filistina2 , até imoral. Mas ela é inevitável para quem quer que se interesse pela constituição biológica do Homo sapiens. Membros de nossa espécie cometem atos malucos como fazer votos de celibato, viver para a música, vender seu sangue para comprar entrada de cinema e fazer pós-graduação. Por quê?
Toda universidade tem sua faculdade de artes, que geralmente domina a instituição numericamente e aos olhos do público. Mas dezenas de milhares de acadêmicos e os milhões de páginas de erudição quase não lançaram luz sobre a questão de por que, afinal de contas, as pessoas dedicam-se às artes. A função das artes é desafiadoramente obscura e a meu ver há várias razões para isso.
(Como a mente funciona, 1998. Adaptado.)
1 diletante: aquilo que é praticado como passatempo, não como profissão.
2 filistina: inculta.
“Para muitas pessoas instruídas, essa pergunta parece horrivelmente filistina, até imoral. Mas ela é inevitável para quem quer que se interesse pela constituição biológica do Homo sapiens.” (2o parágrafo).
A alternativa que reescreve o trecho com correção gramatical e mantém o sentido original é: