Leia o texto de Judith Viorst para responder à questão.
Durante esse período de arrebatamento e rupturas, angústias e excessos chamado adolescência, sentimo-nos literalmente possuídos. Nossos corpos, antes confiáveis, estão desabrochando, sangrando, intumescendo, crescendo, irrompendo e se descontrolando, sem que possamos fazer praticamente nada a respeito. Nossa antiga persona tão claramente identificada – “Olá, sou Fulano(a)” – está agora tão instável que podemos inclusive concluir que sofremos de múltipla personalidade. Não escolhemos esse perturbador tomou conta de nossa vida. Em algum momento, por volta dos 13 anos, sentimo-nos possuídos, como vítimas daqueles seriados de ficção em que alienígenas se apoderam do corpo das pessoas.
Não estamos mais no controle.
E, como se isso já não fosse ruim o bastante, temos de lutar com mães e pais que não conseguem admitir que os superamos. Ficam atrapalhando a gente e se intrometendo, com suas regras e castigos e aqueles tipos de conselho útil
que já não servem para nada desde que tínhamos dois anos e meio. Não damos a mínima para o teto e a mesa que nos proporcionam, para as roupas e mesadas, ou o carro que nos emprestam. Não damos a mínima nem para o fato de que estão ali só para o caso de precisarmos deles. Mas, de alguma forma, eles não conseguem perceber que não só nosso cabelo, mas todas as coisas nos pertencem para fazermos o que quisermos com elas. Até as mães e os pais que insistem em citar a famosa frase do livro O profeta, “seus filhos não são seus filhos”, parecem acreditar que, em certa medida, somos deles – coisas deles, sua propriedade.
Eles parecem acreditar que estamos sujeitos ao seu controle.
Durante a adolescência, lutamos para conquistar o controle até então detido pelas forças que nos possuem. Nessa fase, nós – ou quase todos nós – lutamos para tomar posse de nós mesmos.
(Controles imperfeitos, 2003. Adaptado.)
No contexto em que está inserida, a expressão “seus filhos não são seus filhos”