TEXTO
O VOLUNTARIADO COMO FORMA DE PROTAGONISMO JUVENIL
Márcia Campos
8 de dezembro de 2015
Adolescentes de hoje: jovens que buscam, mas não sabem exatamente o que procuram, nem como irão
encontrar o que desejam. Indivíduos que, apesar dos diferentes rótulos que uma sociedade lhes empresta, cada
vez mais, demonstram um mesmo desejo de viver em um mundo melhor. Há algum tempo, esses adolescentes
têm carregado o estereótipo de passivos e irresponsáveis, porque não se envolvem com questões consideradas
[05] verdadeiramente relevantes. Afinal, como exigir a participação daqueles que não são nem estimulados, nem
preparados a participar?
Acreditar no voluntariado jovem significa – é claro – acreditar no voluntariado e no jovem. Nos últimos
anos, especialmente nesta década, vem tomando forma no Brasil a concepção de voluntariado como ação
cívica; que tem como objetivo a mobilização de pessoas, empresas e instituições da sociedade civil para rever
[10] seus próprios problemas; tanto pela articulação de iniciativas e recursos, quanto pela reinvidicação de políticas
públicas satisfatórias. A participação direta de cidadãos em atividades sociais pode contribuir para o
enfrentamento da exclusão social e para a consolidação de uma cidadania participativa. Assegurar os direitos
humanos e sociais passa a ser uma responsabilidade não apenas do Estado, mas de toda a sociedade.
Dentro dessa nova realidade, como se pode caracterizar o voluntário e o voluntariado? “O voluntário é o
[15] cidadão que, motivado pelos valores de participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de
maneira espontânea e não remunerada, para causas de interesse social e comunitário. Além de bem informado
e consciente da complexidade dos problemas sociais, o voluntário trabalha considerando o horizonte da
emancipação, ou seja, estimulando o crescimento da pessoa e da comunidade para resolver seus próprios
problemas”1
[20] Compreendido como empreendimento social, o voluntariado contemporâneo busca a eficiência dos
serviços, a qualificação dos voluntários e das instituições. Além de competência humana e espírito de
solidariedade, almeja-se a qualidade técnica da ação voluntária. Dentro dessa perspectiva, o voluntariado
deixa de interessar apenas à classe média ou àqueles que têm tempo disponível e passa a ganhar espaço entre
as empresas e as classes populares, a interessar a todos e ser da responsabilidade de todos. Quem acredita no
[25] voluntariado, acredita na possibilidade de romper com o fatalismo, com a desesperança, com as atitudes
meramente críticas ou reativas. Está disposto a contribuir para a formação de mentalidades proativas, capazes
de promover a passagem para uma ordem produzida por todos e com todos. A juventude é um grupo chave em
qualquer processo de transformação social, principalmente agora, que adolescentes são o grupo etário mais
numeroso do país.
[30] (...)
Assim compreendido, o voluntariado jovem torna-se um espaço de formação de pessoas autônomas,
capazes de fazer projetos. São os projetos que dão sentido à vida, que nos lançam para o futuro. Oferecer, aos
adolescentes, oportunidades de envolver-se na solução de problemas reais, é oferecer-lhes chance de produzir
sentido, definir rumos, transformar em textos coerentes e inovadores os fragmentos de informação a que estão
[35] expostos. Significa criar espaços para que eles possam exercitar a construção do seu projeto de vida, tornandose autores e protagonistas de sua própria vida. Enfim, ao associar-se a seus pares e a adultos-parceiros em
projetos de atuação voluntária, os adolescentes têm a chance de desenvolver: – Percepção, sensibilidade,
flexibilização e adaptabilidade; – Capacidade de reflexão e interpretação da realidade social; – Auto-estima,
iniciativa e confiança em si mesmos; – Capacidade de escolha e de tomada de decisão; – Habilidade de
[40] conviver e trabalhar cooperativamente em grupo; – Habilidade de associar-se com adultos com base na
1 Cynthia Paes de Carvalho e Miguel Darcy de Oliveira, Centros de voluntários – transformando necessidades em oportunidades de ação, Rio de Janeiro, Programa Voluntários, 1998.
Leia as proposições:
I – O trabalho voluntário é um empreendimento social que deve ser exercido por grupos específicos que apresentam disponibilidade de tempo e conhecimentos especializados para a garantia da qualidade dos serviços prestados.
II – O trabalho voluntário propicia ao jovem exercer atividades que poderão contribuir para a ampliação de habilidades pessoais e de ações coletivas importantes para o enfrentamento de problemas sociais.
III – O trabalho voluntário é uma atividade que deve ser desenvolvida prioritariamente por jovens para que eles possam aprender sobre temas que integram a vida em sociedade.
IV – O trabalho voluntário traz benefícios para os adolescentes na medida em que possibilita ao jovem se comportar de modo ativo e responsável e se envolver com os problemas da comunidade.
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