Para responder a questão baseie-se no texto abaixo.
[A integridade da arte]
Suponhamos que um crítico de arte, diante de um quadro, se pusesse a raspar com a unha as várias tintas que o compõem e, através da análise química das amostras assim colhidas, chegasse ao veredito sobre o valor estético da obra. Tal procedimento, além de insólito, seria inteiramente inadequado à natureza do conhecimento a ser obtido: o nível de beleza ali representada.
Um quadro, ao nível de sua emergência estética, é um fenômeno unitário, global. Sua essência reside exatamente nessa totalidade e nessa globalidade. Se o quisermos compreender esteticamente a partir da análise química de suas tintas, estaremos desrespeitando a integridade do fenômeno que temos diante dos olhos.
O ser humano é liberdade encarnada, é corpo e matéria integrados num todo por eles sustentado, mas cujo significado os transcende. Sem tela e sem tinta não há pintura nem quadro, mas a tela e a tinta não constituem, por si mesmas, a verdade do quadro, nem esta pode a elas ser reduzida.
(PELLEGRINO, Hélio. Lucidez embrigada. São Paulo: Editora Planeta, 2004, p. 26-27)
Considere as seguintes afirmações:
I. Um bom pintor seleciona bem seus materiais.
II. Bons materiais não garantem uma boa pintura.
III. Na boa pintura o sentido transcende a materialidade.
Essas afirmações compõem um período com coerência e correção em: