TEXTO
Olho com desconfiança para a anciã grisalha e mirrada, mas com boa aparência, procurando brechas, fissuras onde pudesse injetar meu veneno. Pelo que eu sabia, Laura tinha mais de noventa anos. Quase um século vivido ali, impune e imune. Salva da própria maldade e completamente alheia às grandes tragédias que assolam o Planeta. Pensei: encastelada neste lugar, ela viu passar a Coluna Prestes, atravessou a Grande Recessão, a Primeira e a Segunda Grandes Guerras Mundiais; o surgimento e a queda do Estado Novo. Estava aqui, livre e solta, quando o Muro da Vergonha aprisionou inocentes; continuava no mesmo lugar no momento em que a muralha foi caninamente destroçada; guerras devastaram a África, dizimando tribos inteiras. Não tomou conhecimento das inúmeras invasões pelo Globo afora; ignorou a troca de mãos sofrida por populações inteiras, como se gente fosse mercadoria. Tornados, avalanchas, terremotos. Desconhece que mudanças climáticas instigam a ira da natureza e ninguém mais sabe onde vamos parar. Nada, nem a catástrofe em andamento parece perturbar a paz de seus dias iguais. Estou certa de que a velha ignora completamente a famigerada ação terrorista; a praga das drogas. De repente, parei meu tiroteio absurdo enquanto pensava: e quanto ao seu universo interior? Sim, porque ela deve ter um.
(BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 13-14.)
Analise o primeiro período do Texto até o ponto final para assinalar a alternativa que indica corretamente qual é o sujeito gramatical da construção verbal “pudesse injetar”.
Assinale a resposta correta: