TEXTO
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Passavam, no céu esbranquiçado, bandos alegres de papagaios e maracanãs; em seguida, o grito agudo de uma ave — um grito de pavão em campo abandonado — caía de árvore distante e vinha reboan do mata adentro. Para Doca, tudo se parecia como relâmpago em dia de sol, pois, em seguida, a mata se aquietava, o grande silêncio voltava e, junto, a expectativa — para onde ir, que direção tomar, por onde dar os primeiros passos. Um lagarto gigante, correndo repentinamente sobre a folhagem morta, de novo assustou-o, quebrando o silêncio.
— Arre, bicho feio! — xingou, os pelos arrepiando. — Vá azarar outro, que eu já me acho mais sujo do que carvão...
Por onde mirava, a selva se estendia compacta. Tudo se resumia num aglomerado exuberante, arbitrário e confuso, de troncos e hastes, entremeios de ramaria multiforme, serpenteando em curvas imprevistas, em laçadas largas, em anéis repetidos, fortes e fatais, toda uma vegetação de cipós e parasitas verdes, que deixava intransponíveis alguns trechos. Nenhum tronco de árvore subia limpo de tentáculos até à copada exposta ao sol. A luz vinha em focos quebrados, esfarrapando-se entre as folhas, galhos e palmas. A multidão de arbustos menores ansiava por luminosidade. [...]
Doca caminhava assustado. De suas roupas, pouca coisa sobrara. Havia ranchões de espinhos em sua pele. O sangue borbotava e depois ressecava. Às vezes, nem sentia o rasgo dos espinhos. Só depois percebia o sangue ressequido. Antes da partida, comprara no armazém do garimpo um par de botinas reforçadas, com solado de pneus costurados. Sabia que teria de caminhar por lugares hostis. Mas as solas de seus pés doíam e haviam formado bolhas.
[...]
Sentia-se exausto e apavorado. De vez em quando, respirava fundo, subindo pelas narinas um cheiro forte de húmus em combustão — folhagem e troncos apodrecidos na umidade da terra.
Acalme-se, homem de Deus! — dizia a si mesmo, tentando restabelecer o domínio dos nervos. — O pavor faz a desgraça.
O negrume caía rapidamente sob o denso arvoredo. Doca ouvia todos os ruídos e distinguia as vozes da terra bárbara. Cricrilar de grilos, uivar de animais, ranger de galhos, alvoroço de macacos, vozes ásperas de rãs e sapos, silvos passageiros de morcegos, deixavam-no cada vez mais assustado.
[...]
Já não via nada. Fizera uma bobagem em fugir do garimpo. O que valia mais: a sua vida ou a pedra preciosa? Sem dúvida, fora mesquinho, mostrara-se ambicioso. Apalpou a pedra na mochila. Sim, ela ainda estava lá. Mas de que adiantava possuí-la se corria o risco de ser devorado por bichos naquela selva? Agora, diante da mata densa, o negrume por todos os lados, à mercê da sorte, sentia-se inútil. Deveria continuar andando às cegas ou, simplesmente, arriar a mochila e se aquietar num tronco de árvore?
Num grande tronco, já escuro, arriou-se. Sentia-se muito cansado, a boca seca, mas não tinha fome. Abraçado à mochila, o facão sem corte à mão, o mundo sumiu. Simplesmente desapareceu.
(GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinvillle: Sucesso Pocket, 2014. p. 66-69. Adaptado.)
2
O Texto faz clara menção a árvores. Suponha que um náufrago disponha de 2 toras de cedro e 7 toras de jatobá para construir uma jangada com as toras inteiras. Considere que todas as toras tenham a forma de cilindro reto com 2 metros de comprimento e 20 centímetros de diâmetro. A jangada deve suportar a massa de 80 quilos do náufrago sem afundar.
Dados:
Densidade da água 1000 kg/m3
Densidade da madeira de jatobá 921 kg/m3
Densidade da madeira de cedro 485 kg/m3
Considere
π = 3,14
I - Se for construída apenas com as 7 toras de jatobá disponíveis, a jangada flutuará, suportando o náufrago sem afundar.
II - Para que uma jangada feita apenas de toras de cedro suporte o náufrago sem afundar, seriam necessárias no mínimo 3 toras com as dimensões descritas.
III - Considerando-se as toras disponíveis, a jangada deverá ter pelo menos 6 toras, sendo 2 de cedro e 4 de jatobá, para suportar a massa do náufrago sem afundar.
IV - Se forem utilizadas todas as 9 toras na construção da jangada, esta suportará uma pessoa de 95 kg sem afundar.
Com base nas sentenças anteriores, podemos afirmar que (marque a resposta correta):