Observe as seguintes afirmações sobre Contos de Belazarte, de Mário de Andrade:
I. Contos de Belazarte (1934) é o segundo livro de contos de Mário de Andrade e representa um amadurecimento formal em relação ao seu primeiro volume de contos, Primeiro Andar (1926); contudo, em consonância com as concepções modernistas adotadas pelo autor, seja no plano estético seja no ideológico, é um livro em que se explora com destaque, a exemplo das obras da década anterior, a temática nacional.
II. O conto “Caim, Caim e o Resto”, muito rico formalmente, se vale da presença de diminutivos, repetições, reticências e onomatopeias, comuns na oralidade. Bastante encontrada na ficção de Mário de Andrade, essa abertura ao coloquial e à língua viva se faz acompanhar, no conto, pela temática da miscigenação, tão cara ao autor, já que o protagonista Tino é apresentado como filho de pai negro e que adora cantar canções italianas (“num napolitano duvidoso do bairro da Lapa”) aprendidas com a mãe. Quanto a isso, o conto marca a permanência, em Contos de Belazarte, de formas e temas presentes no todo da obra de Mário de Andrade.
III. Os contos de Belazarte recuperam integralmente o processo narrativo da novela pircaresca. Temos no livro uma série de aventuras com o mesmo protagonista, Belazarte, que é uma paródia homenageosa do anti-herói ibérico Pedro Malazartes. Ao mesmo tempo malicioso e ingênuo, vivendo de expedientes nada convencionais do ponto de vista moral, o andarilho Belazarte é uma espécie de antecipação de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, que é criação posterior de Mário de Andrade.
Está(ão) CORRETA(S):