Responder à questão com base nos textos 1 e 2.
TEXTO 1
EU EXISTO!
Muito prazer, sou a jornalista que estacionou o carro de Caetano no Leblon
Elisangela Roxo
Caro Caetano Veloso,
Espero que esta carta encontre você e sua família
em perfeita saúde. Que todos estejam seguros nestes
tempos tão sombrios… Escrevo por um bom motivo.
[05] Depois de amanhã, ________ dez anos de um curioso
e desconcertante fenômeno: o dia em que a internet
ficou odara e eu virei lenda (sim, uma lenda, embora
você não saiba disso). Muita gente ainda se lembra
da reportagem que publiquei no portal Terra em 10 de
[10] março de 2011, com um título longuíssimo: Caetano
Veloso Passeia pelo Leblon e Estaciona o Carro
. Era
uma notícia nada noticiosa, sem dúvida, mas acabou
se transformando num marco do jornalismo brasileiro.
A matéria – banal como um bichinho de avenca,
[15] poderia dizer o Nelson Rodrigues – ________
apenas 49 palavras e saiu sem assinatura. Pois bem…
Eu existo! Sou a autora daquelas mal traçadas linhas
e chegou a hora de você conhecer os bastidores do
elo invisível que nos conecta há uma década. Prazer,
[20] meu nome é Elisangela.
[...]
_________ a minha petulância com sua
imagem, Caetano, mas eu precisava rir de mim mesma
naquela atividade tão carente de sentido. Precisava
me satirizar enquanto satirizava o jornalismo sobre
[25] o nada, entende? Olhei para dentro e dei de cara
com minha porção jornalista que sonhava entrar
para a história graças a reportagens sensíveis e bem
escritas. Olhei para fora e lá estava eu, solitária, em
frente ao computador, já tarde da noite, numa gaiola
[30] envidraçada, com vista panorâmica para a Marginal
Pinheiros. Imaginei que apenas meia dúzia de gatos
pingados (e insones) iria ver a nota. Minha gracinha
certamente desapareceria em meio a tantas outras
pérolas publicadas por nós.
Adaptado de: https://abre.ai/cA92. Acesso em 13 abr. 2021.
TEXTO 2
Maria Homem, viúva de Contardo Calligaris, lembra a relação com ele
Na conversação que era nossa vida, o grego, a
filosofia, o teatro, enfim, as ideias e práticas antigas
sempre estiveram presentes. Transmitimos um pouco
disso nos dois livros que fizemos. Até escolhemos uma
[05] expressão em grego para eu fazer uma tatuagem,
que a pandemia adiou. Como tantas coisas que ela
adiou. Enfim, com grego, latim, italiano, inglês, francês,
português... A embocadura e as palavras podiam ser
salvadoras. O que seria de mim sem você?
[10] Até que um dia, esses dias, eu repeti a minha
pergunta, e num outro tom: “O que vai ser de mim
sem você?”. Já tínhamos tido, claro, longas conversas
sobre o futuro e essa espera angustiante da morte.
Com humor, com tranquilidade, com lágrimas absur
[15] das. Às vezes com revolta, às vezes com aceitação
radical (c’est la vie).
Cada um vive a morte à sua maneira. A inexora
velmente solitária forma de cada um ter seu corpo e
seu ser sendo atravessados pela morte. A morte de
[20] quem morre e a morte de quem fica. Na véspera, a
pergunta era séria e talvez sem resposta: o que vai ser
de mim sem você? Você estava consciente, olhou no
meu olho e disse: “Vai ser o que você quiser”. Parei de
chorar naquele instante. Olhei atônita: você conseguia
[25] ser analista até debaixo d’água. Você ofertava ao outro
uma palavra para ele seguir. E conseguia ser fiel ao
seu mais caro princípio até o final: crie sua vida. Esse
é o sentido que ela tem e que você criará para ela.
No dia seguinte, naqueles instantes que ficarão
[30] para sempre inesquecíveis, falei na sua orelha tudo
o que eu quis. Até que ficou tudo calmo. Sozinha no
quarto, continuei deitada ao seu lado, e continuei
falando. Ainda não sei o que vou querer ou o que
vou conseguir inventar de mim mesma. Sei que a
[35] tatuagem e as cicatrizes serão inevitáveis, e o que
te falei seguirá valendo.
Adaptado de: https://bit.ly/3uAD39q. Acesso em 08 abr. 2021.
Sobre os textos, é correto afirmar que