A educação de hoje estimula ou reduz a participação dos jovens na política?
Andrea Ramal
No acontecimento mais importante e decisivo do ano, as eleições, apenas 25% dos brasileiros entre 16 e 17
anos irão votar. A grande maioria não tirou o título de eleitor. Desde 2006, a participação dos jovens dessa faixa etária
vem diminuindo cada vez mais. De fato, o baixo envolvimento da juventude com a política é um fenômeno constatado
em diversos países, como por exemplo o Chile, a Argentina, a Espanha, para citar alguns. As razões são diversas e o
[5] assunto exige análises mais complexas do que é possível fazer aqui. Mas quero propor o debate: a participação
política dos jovens é estimulada ou, por outro lado, reduzida pela educação que recebem em casa e na escola?
Na educação de casa, crianças e jovens de hoje certamente percebem o desencanto dos pais quanto às reais
formas de participação e de expressão que conseguiram se estabelecer nas últimas décadas, mesmo nos regimes
democráticos. Compartilham o descrédito dos pais quanto aos partidos políticos, à gestão dos recursos públicos, à
[10] solução de problemas estruturais como a corrupção, a educação ou a inclusão social. Uma frase comum entre os
jovens é a de que “nenhum candidato me representa”. Muitos consideram outras formas de participação, como as
manifestações, mais efetivas do que o voto.
Por outro lado, há que se lembrar que o espaço da convivência familiar pode ser um dos mais férteis para a
formação política. É nele que se vivem as primeiras experiências de autoritarismo ou de democracia, que se começam
[15] a entender as estruturas de poder e de participação. Em casa, as relações podem ser marcadas pelo individualismo ou
pela cooperação. As tarefas domésticas podem ser assumidas apenas por alguns, ou distribuídas entre todos. Os
limites podem ser estabelecidos de uma forma coerente, libertadora, que ajude a assumir as próprias decisões. Nada
disso é neutro. Tudo forma para a vida política.
Conheço famílias que, inclusive, estão aproveitando esta véspera de eleições para educar para a cidadania.
[20] Debatem com os filhos sobre as necessidades mais urgentes da população e as comparam com as propostas dos
candidatos. Explicam às crianças as responsabilidades de um senador, um deputado, e como as suas ações podem
afetar a nossa vida. Pedem que a criança imagine o que faria se fosse presidente. Com adolescentes, analisam os
discursos dos candidatos, tentando separar programas de governo estruturados de meras promessas eleitoreiras.
Pesquisam juntos o histórico dos políticos, avaliando como se saíram quando assumiram outro cargo público. Práticas
[25] desse tipo podem ajudar a despertar a consciência crítica e a perceber as implicações de um voto.
Ao mesmo tempo, a educação escolar é também um fator-chave na formação política. Hoje se fala bastante
numa sala de aula na qual não se transmitam só conteúdos acadêmicos, mas se forme para a vida cidadã. Esse foi o
tom das mais recentes reformas educacionais, tanto na gestão de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais, como na gestão de Lula e de Dilma Rousseff, por exemplo ao defender um estilo
[30] de prova do Enem, como exame de ingresso ao ensino superior, mais focado em atualidades e análises de contexto,
do que em conteúdos abstratos.
No entanto, poderíamos questionar se o espaço escolar consegue ser, de fato, um ambiente que forma para a
democracia, e com seus valores e práticas a aprofunda e a consolida, ou se o estudante se depara com um sistema
que ainda promove pouco a participação e forma indivíduos competitivos e utilitaristas. Pois, como diz José Gimeno
[35] Sacristán, “a escola contribuirá para a democracia sempre que seus conteúdos e objetivos se ajustarem aos valores da
democracia, mas sobretudo quando as práticas pedagógicas estiverem alinhadas com as exigências mínimas de uma
democracia”.
Ora, se a escola mantém as antigas relações de poder, com hierarquias rígidas, atividades que se repetem
mecanicamente, ordens que simplesmente devem ser cumpridas e conhecimentos fragmentados em disciplinas com
[40] pouca ligação com o mundo do estudante, a instituição está na verdade, como escreveu Foucault, formando um “objeto
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
No acontecimento mais importante e decisivo do ano, as eleições, apenas 25% dos brasileiros entre 16 e 17
anos irão votar. A grande maioria não tirou o título de eleitor. Desde 2006, a participação dos jovens dessa faixa etária
vem diminuindo cada vez mais. De fato, o baixo envolvimento da juventude com a política é um fenômeno constatado
em diversos países, como por exemplo o Chile, a Argentina, a Espanha, para citar alguns. As razões são diversas e o
[5] assunto exige análises mais complexas do que é possível fazer aqui. Mas quero propor o debate: a participação
política dos jovens é estimulada ou, por outro lado, reduzida pela educação que recebem em casa e na escola?
Na educação de casa, crianças e jovens de hoje certamente percebem o desencanto dos pais quanto às reais
formas de participação e de expressão que conseguiram se estabelecer nas últimas décadas, mesmo nos regimes
democráticos. Compartilham o descrédito dos pais quanto aos partidos políticos, à gestão dos recursos públicos, à
[10] solução de problemas estruturais como a corrupção, a educação ou a inclusão social. Uma frase comum entre os
jovens é a de que “nenhum candidato me representa”. Muitos consideram outras formas de participação, como as
manifestações, mais efetivas do que o voto.
Por outro lado, há que se lembrar que o espaço da convivência familiar pode ser um dos mais férteis para a
formação política. É nele que se vivem as primeiras experiências de autoritarismo ou de democracia, que se começam
[15] a entender as estruturas de poder e de participação. Em casa, as relações podem ser marcadas pelo individualismo ou
pela cooperação. As tarefas domésticas podem ser assumidas apenas por alguns, ou distribuídas entre todos. Os
limites podem ser estabelecidos de uma forma coerente, libertadora, que ajude a assumir as próprias decisões. Nada
disso é neutro. Tudo forma para a vida política.
Conheço famílias que, inclusive, estão aproveitando esta véspera de eleições para educar para a cidadania.
[20] Debatem com os filhos sobre as necessidades mais urgentes da população e as comparam com as propostas dos
candidatos. Explicam às crianças as responsabilidades de um senador, um deputado, e como as suas ações podem
afetar a nossa vida. Pedem que a criança imagine o que faria se fosse presidente. Com adolescentes, analisam os
discursos dos candidatos, tentando separar programas de governo estruturados de meras promessas eleitoreiras.
Pesquisam juntos o histórico dos políticos, avaliando como se saíram quando assumiram outro cargo público. Práticas
[25] desse tipo podem ajudar a despertar a consciência crítica e a perceber as implicações de um voto.
Ao mesmo tempo, a educação escolar é também um fator-chave na formação política. Hoje se fala bastante
numa sala de aula na qual não se transmitam só conteúdos acadêmicos, mas se forme para a vida cidadã. Esse foi o
tom das mais recentes reformas educacionais, tanto na gestão de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais, como na gestão de Lula e de Dilma Rousseff, por exemplo ao defender um estilo
[30] de prova do Enem, como exame de ingresso ao ensino superior, mais focado em atualidades e análises de contexto,
do que em conteúdos abstratos.
No entanto, poderíamos questionar se o espaço escolar consegue ser, de fato, um ambiente que forma para a
democracia, e com seus valores e práticas a aprofunda e a consolida, ou se o estudante se depara com um sistema
que ainda promove pouco a participação e forma indivíduos competitivos e utilitaristas. Pois, como diz José Gimeno
[35] Sacristán, “a escola contribuirá para a democracia sempre que seus conteúdos e objetivos se ajustarem aos valores da
democracia, mas sobretudo quando as práticas pedagógicas estiverem alinhadas com as exigências mínimas de uma
democracia”.
Ora, se a escola mantém as antigas relações de poder, com hierarquias rígidas, atividades que se repetem
mecanicamente, ordens que simplesmente devem ser cumpridas e conhecimentos fragmentados em disciplinas com
[40] pouca ligação com o mundo do estudante, a instituição está na verdade, como escreveu Foucault, formando um “objeto
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
política dos jovens é estimulada ou, por outro lado, reduzida pela educação que recebem em casa e na escola?
Na educação de casa, crianças e jovens de hoje certamente percebem o desencanto dos pais quanto às reais
formas de participação e de expressão que conseguiram se estabelecer nas últimas décadas, mesmo nos regimes
democráticos. Compartilham o descrédito dos pais quanto aos partidos políticos, à gestão dos recursos públicos, à
[10] solução de problemas estruturais como a corrupção, a educação ou a inclusão social. Uma frase comum entre os
jovens é a de que “nenhum candidato me representa”. Muitos consideram outras formas de participação, como as
manifestações, mais efetivas do que o voto.
Por outro lado, há que se lembrar que o espaço da convivência familiar pode ser um dos mais férteis para a
formação política. É nele que se vivem as primeiras experiências de autoritarismo ou de democracia, que se começam
[15] a entender as estruturas de poder e de participação. Em casa, as relações podem ser marcadas pelo individualismo ou
pela cooperação. As tarefas domésticas podem ser assumidas apenas por alguns, ou distribuídas entre todos. Os
limites podem ser estabelecidos de uma forma coerente, libertadora, que ajude a assumir as próprias decisões. Nada
disso é neutro. Tudo forma para a vida política.
Conheço famílias que, inclusive, estão aproveitando esta véspera de eleições para educar para a cidadania.
[20] Debatem com os filhos sobre as necessidades mais urgentes da população e as comparam com as propostas dos
candidatos. Explicam às crianças as responsabilidades de um senador, um deputado, e como as suas ações podem
afetar a nossa vida. Pedem que a criança imagine o que faria se fosse presidente. Com adolescentes, analisam os
discursos dos candidatos, tentando separar programas de governo estruturados de meras promessas eleitoreiras.
Pesquisam juntos o histórico dos políticos, avaliando como se saíram quando assumiram outro cargo público. Práticas
[25] desse tipo podem ajudar a despertar a consciência crítica e a perceber as implicações de um voto.
Ao mesmo tempo, a educação escolar é também um fator-chave na formação política. Hoje se fala bastante
numa sala de aula na qual não se transmitam só conteúdos acadêmicos, mas se forme para a vida cidadã. Esse foi o
tom das mais recentes reformas educacionais, tanto na gestão de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais, como na gestão de Lula e de Dilma Rousseff, por exemplo ao defender um estilo
[30] de prova do Enem, como exame de ingresso ao ensino superior, mais focado em atualidades e análises de contexto,
do que em conteúdos abstratos.
No entanto, poderíamos questionar se o espaço escolar consegue ser, de fato, um ambiente que forma para a
democracia, e com seus valores e práticas a aprofunda e a consolida, ou se o estudante se depara com um sistema
que ainda promove pouco a participação e forma indivíduos competitivos e utilitaristas. Pois, como diz José Gimeno
[35] Sacristán, “a escola contribuirá para a democracia sempre que seus conteúdos e objetivos se ajustarem aos valores da
democracia, mas sobretudo quando as práticas pedagógicas estiverem alinhadas com as exigências mínimas de uma
democracia”.
Ora, se a escola mantém as antigas relações de poder, com hierarquias rígidas, atividades que se repetem
mecanicamente, ordens que simplesmente devem ser cumpridas e conhecimentos fragmentados em disciplinas com
[40] pouca ligação com o mundo do estudante, a instituição está na verdade, como escreveu Foucault, formando um “objeto
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
jovens é a de que “nenhum candidato me representa”. Muitos consideram outras formas de participação, como as
manifestações, mais efetivas do que o voto.
Por outro lado, há que se lembrar que o espaço da convivência familiar pode ser um dos mais férteis para a
formação política. É nele que se vivem as primeiras experiências de autoritarismo ou de democracia, que se começam
[15] a entender as estruturas de poder e de participação. Em casa, as relações podem ser marcadas pelo individualismo ou
pela cooperação. As tarefas domésticas podem ser assumidas apenas por alguns, ou distribuídas entre todos. Os
limites podem ser estabelecidos de uma forma coerente, libertadora, que ajude a assumir as próprias decisões. Nada
disso é neutro. Tudo forma para a vida política.
Conheço famílias que, inclusive, estão aproveitando esta véspera de eleições para educar para a cidadania.
[20] Debatem com os filhos sobre as necessidades mais urgentes da população e as comparam com as propostas dos
candidatos. Explicam às crianças as responsabilidades de um senador, um deputado, e como as suas ações podem
afetar a nossa vida. Pedem que a criança imagine o que faria se fosse presidente. Com adolescentes, analisam os
discursos dos candidatos, tentando separar programas de governo estruturados de meras promessas eleitoreiras.
Pesquisam juntos o histórico dos políticos, avaliando como se saíram quando assumiram outro cargo público. Práticas
[25] desse tipo podem ajudar a despertar a consciência crítica e a perceber as implicações de um voto.
Ao mesmo tempo, a educação escolar é também um fator-chave na formação política. Hoje se fala bastante
numa sala de aula na qual não se transmitam só conteúdos acadêmicos, mas se forme para a vida cidadã. Esse foi o
tom das mais recentes reformas educacionais, tanto na gestão de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais, como na gestão de Lula e de Dilma Rousseff, por exemplo ao defender um estilo
[30] de prova do Enem, como exame de ingresso ao ensino superior, mais focado em atualidades e análises de contexto,
do que em conteúdos abstratos.
No entanto, poderíamos questionar se o espaço escolar consegue ser, de fato, um ambiente que forma para a
democracia, e com seus valores e práticas a aprofunda e a consolida, ou se o estudante se depara com um sistema
que ainda promove pouco a participação e forma indivíduos competitivos e utilitaristas. Pois, como diz José Gimeno
[35] Sacristán, “a escola contribuirá para a democracia sempre que seus conteúdos e objetivos se ajustarem aos valores da
democracia, mas sobretudo quando as práticas pedagógicas estiverem alinhadas com as exigências mínimas de uma
democracia”.
Ora, se a escola mantém as antigas relações de poder, com hierarquias rígidas, atividades que se repetem
mecanicamente, ordens que simplesmente devem ser cumpridas e conhecimentos fragmentados em disciplinas com
[40] pouca ligação com o mundo do estudante, a instituição está na verdade, como escreveu Foucault, formando um “objeto
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
pela cooperação. As tarefas domésticas podem ser assumidas apenas por alguns, ou distribuídas entre todos. Os
limites podem ser estabelecidos de uma forma coerente, libertadora, que ajude a assumir as próprias decisões. Nada
disso é neutro. Tudo forma para a vida política.
Conheço famílias que, inclusive, estão aproveitando esta véspera de eleições para educar para a cidadania.
[20] Debatem com os filhos sobre as necessidades mais urgentes da população e as comparam com as propostas dos
candidatos. Explicam às crianças as responsabilidades de um senador, um deputado, e como as suas ações podem
afetar a nossa vida. Pedem que a criança imagine o que faria se fosse presidente. Com adolescentes, analisam os
discursos dos candidatos, tentando separar programas de governo estruturados de meras promessas eleitoreiras.
Pesquisam juntos o histórico dos políticos, avaliando como se saíram quando assumiram outro cargo público. Práticas
[25] desse tipo podem ajudar a despertar a consciência crítica e a perceber as implicações de um voto.
Ao mesmo tempo, a educação escolar é também um fator-chave na formação política. Hoje se fala bastante
numa sala de aula na qual não se transmitam só conteúdos acadêmicos, mas se forme para a vida cidadã. Esse foi o
tom das mais recentes reformas educacionais, tanto na gestão de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais, como na gestão de Lula e de Dilma Rousseff, por exemplo ao defender um estilo
[30] de prova do Enem, como exame de ingresso ao ensino superior, mais focado em atualidades e análises de contexto,
do que em conteúdos abstratos.
No entanto, poderíamos questionar se o espaço escolar consegue ser, de fato, um ambiente que forma para a
democracia, e com seus valores e práticas a aprofunda e a consolida, ou se o estudante se depara com um sistema
que ainda promove pouco a participação e forma indivíduos competitivos e utilitaristas. Pois, como diz José Gimeno
[35] Sacristán, “a escola contribuirá para a democracia sempre que seus conteúdos e objetivos se ajustarem aos valores da
democracia, mas sobretudo quando as práticas pedagógicas estiverem alinhadas com as exigências mínimas de uma
democracia”.
Ora, se a escola mantém as antigas relações de poder, com hierarquias rígidas, atividades que se repetem
mecanicamente, ordens que simplesmente devem ser cumpridas e conhecimentos fragmentados em disciplinas com
[40] pouca ligação com o mundo do estudante, a instituição está na verdade, como escreveu Foucault, formando um “objeto
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
candidatos. Explicam às crianças as responsabilidades de um senador, um deputado, e como as suas ações podem
afetar a nossa vida. Pedem que a criança imagine o que faria se fosse presidente. Com adolescentes, analisam os
discursos dos candidatos, tentando separar programas de governo estruturados de meras promessas eleitoreiras.
Pesquisam juntos o histórico dos políticos, avaliando como se saíram quando assumiram outro cargo público. Práticas
[25] desse tipo podem ajudar a despertar a consciência crítica e a perceber as implicações de um voto.
Ao mesmo tempo, a educação escolar é também um fator-chave na formação política. Hoje se fala bastante
numa sala de aula na qual não se transmitam só conteúdos acadêmicos, mas se forme para a vida cidadã. Esse foi o
tom das mais recentes reformas educacionais, tanto na gestão de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais, como na gestão de Lula e de Dilma Rousseff, por exemplo ao defender um estilo
[30] de prova do Enem, como exame de ingresso ao ensino superior, mais focado em atualidades e análises de contexto,
do que em conteúdos abstratos.
No entanto, poderíamos questionar se o espaço escolar consegue ser, de fato, um ambiente que forma para a
democracia, e com seus valores e práticas a aprofunda e a consolida, ou se o estudante se depara com um sistema
que ainda promove pouco a participação e forma indivíduos competitivos e utilitaristas. Pois, como diz José Gimeno
[35] Sacristán, “a escola contribuirá para a democracia sempre que seus conteúdos e objetivos se ajustarem aos valores da
democracia, mas sobretudo quando as práticas pedagógicas estiverem alinhadas com as exigências mínimas de uma
democracia”.
Ora, se a escola mantém as antigas relações de poder, com hierarquias rígidas, atividades que se repetem
mecanicamente, ordens que simplesmente devem ser cumpridas e conhecimentos fragmentados em disciplinas com
[40] pouca ligação com o mundo do estudante, a instituição está na verdade, como escreveu Foucault, formando um “objeto
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
Ao mesmo tempo, a educação escolar é também um fator-chave na formação política. Hoje se fala bastante
numa sala de aula na qual não se transmitam só conteúdos acadêmicos, mas se forme para a vida cidadã. Esse foi o
tom das mais recentes reformas educacionais, tanto na gestão de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais, como na gestão de Lula e de Dilma Rousseff, por exemplo ao defender um estilo
[30] de prova do Enem, como exame de ingresso ao ensino superior, mais focado em atualidades e análises de contexto,
do que em conteúdos abstratos.
No entanto, poderíamos questionar se o espaço escolar consegue ser, de fato, um ambiente que forma para a
democracia, e com seus valores e práticas a aprofunda e a consolida, ou se o estudante se depara com um sistema
que ainda promove pouco a participação e forma indivíduos competitivos e utilitaristas. Pois, como diz José Gimeno
[35] Sacristán, “a escola contribuirá para a democracia sempre que seus conteúdos e objetivos se ajustarem aos valores da
democracia, mas sobretudo quando as práticas pedagógicas estiverem alinhadas com as exigências mínimas de uma
democracia”.
Ora, se a escola mantém as antigas relações de poder, com hierarquias rígidas, atividades que se repetem
mecanicamente, ordens que simplesmente devem ser cumpridas e conhecimentos fragmentados em disciplinas com
[40] pouca ligação com o mundo do estudante, a instituição está na verdade, como escreveu Foucault, formando um “objeto
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
do que em conteúdos abstratos.
No entanto, poderíamos questionar se o espaço escolar consegue ser, de fato, um ambiente que forma para a
democracia, e com seus valores e práticas a aprofunda e a consolida, ou se o estudante se depara com um sistema
que ainda promove pouco a participação e forma indivíduos competitivos e utilitaristas. Pois, como diz José Gimeno
[35] Sacristán, “a escola contribuirá para a democracia sempre que seus conteúdos e objetivos se ajustarem aos valores da
democracia, mas sobretudo quando as práticas pedagógicas estiverem alinhadas com as exigências mínimas de uma
democracia”.
Ora, se a escola mantém as antigas relações de poder, com hierarquias rígidas, atividades que se repetem
mecanicamente, ordens que simplesmente devem ser cumpridas e conhecimentos fragmentados em disciplinas com
[40] pouca ligação com o mundo do estudante, a instituição está na verdade, como escreveu Foucault, formando um “objeto
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
democracia, mas sobretudo quando as práticas pedagógicas estiverem alinhadas com as exigências mínimas de uma
democracia”.
Ora, se a escola mantém as antigas relações de poder, com hierarquias rígidas, atividades que se repetem
mecanicamente, ordens que simplesmente devem ser cumpridas e conhecimentos fragmentados em disciplinas com
[40] pouca ligação com o mundo do estudante, a instituição está na verdade, como escreveu Foucault, formando um “objeto
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
de informação”, em vez de um “sujeito de comunicação”.
Há instituições que, ao contrário, repensaram sua função social e, com isso, seus currículos e práticas.
Concebem-se cada vez mais como ambientes de aprendizagem e de comunicação, onde pessoas com diferentes
interesses e afinidades se encontram para aprender umas com as outras. Seguem o que disse Paulo Freire: “Não
[45] basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Nessas escolas, os professores se entendem como
mediadores e as mídias são usadas para o intercâmbio de ideias e conhecimentos. A aula é o ponto de partida de uma
rede de pessoas, dialógica, participativa, inclusiva, multicultural, aberta ao que é diverso.
São práticas necessárias nessa escola democrática, por exemplo, os grêmios estudantis e a existência dos
[50] conselhos de pais. Estruturas desse tipo, entre outras, estimulam a participação no planejamento e na tomada de
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
decisões. Outra atividade positiva são os trabalhos sociais. E nestes meses tenho acompanhado experiências
escolares interessantes com foco nas eleições. Por exemplo, há professores que estimularam as turmas a organizar
partidos políticos imaginários e fazer debates como os da TV, entre os candidatos com diferentes ideologias, discutindo
soluções possíveis para os problemas da escola, da comunidade e do bairro. Não há como não imaginar que, quando
[55] adultas, estas crianças terão mais condições de votar de forma mais consciente.
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
De resto, para além das instituições tradicionais, a própria juventude vem encontrando outros espaços e formas
de participação. Um dos mais promissores é o das redes sociais, nas quais os jovens se posicionam, organizam
movimentos, discutem visões de mundo. Nem sempre com respeito, nem sempre com tolerância, vão experimentando
os riscos e potencialidades da cibercultura.
[60] Há que torcer para que essa interatividade, da qual participamos com um clique tão confortável que não requer
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora
nem sair de casa, não termine por banalizar ainda mais o voto. Ao contrário: que a esfera digital nos desafie a mudar
as formas de aprender e ensinar e provoque novas e produtivas discussões, nas casas e nas escolas.
Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-de-hoje-estimula-ou-reduz-participacao-dos-jovens-na-politica.html>. Acesso em: 11 ago. 14. (Adaptado.)
A partir da citação de José Gimeno Sacristán, a autora