TEXTO 5
[1] Helena tinha os predicados próprios a captar a confiança e a afeição da família.
Era dócil, afável, inteligente. Não eram estes, contudo, nem ainda a beleza, os seus
dotes por excelência eficazes. O que a tornava superior e lhe dava probabilidade de
triunfo, era a arte de acomodar-se às circunstâncias do momento e a toda a casta de
[5] espíritos, arte preciosa, que faz hábeis os homens e estimáveis as mulheres. Helena
praticava de livros ou de alfinetes, de bailes ou de arranjos de casa, com igual interesse
e gosto, frívola com os frívolos, grave com os que o eram, atenciosa e ouvida, sem
entono nem vulgaridade. Havia nela a jovialidade da menina e a compostura da mulher
feita, um acordo de virtudes domésticas e maneiras elegantes.
[10] Além das qualidades naturais, possuía Helena algumas prendas de sociedade,
que a tornavam aceita a todos, e mudaram em parte o teor da vida da família. Não falo
da magnífica voz de contralto, nem da correção com que sabia usar dela, porque ainda
então, estando fresca a memória do conselheiro, não tivera ocasião de fazer-se ouvir.
Era pianista distinta, sabia desenho, falava correntemente a língua francesa, um pouco
[15] a inglesa e a italiana. Entendia de costura e bordados e toda a sorte de trabalhos
feminis. Conversava com graça e lia admiravelmente. Mediante os seus recursos, e
muita paciência, arte e resignação, − não humilde, mas digna, − conseguia polir os
ásperos, atrair os indiferentes e domar os hostis.
MACHADO DE ASSIS, J.M. Helena. São Paulo: Paulus, 2008, p. 25.
Assinale a alternativa incorreta em relação à obra Helena, Machado de Assis, e ao Texto 5.