TEXTO 4
[1] – Pirulito está dormindo – explica Amaro. – A água está calma.
Clarissa sorri.
Os dedos de Amaro dançam sobre o teclado amarelento. Por um segundo
Clarissa esquece a música e pensa:
[5] As mãos dele são bem da cor do teclado.
De repente um acorde mais forte. Amaro diz:
– Um raio de sol atravessa o aquário...
Continua a tocar. Vai explicando. Pirulito desperta. Que mistério é este? A água
está incendiada. Vem da janela uma réstia de sol que passa por uma fresta estreita:
[10] parece um dardo que trespassa o aquário. Pirulito recua. (Um acorde forte.) Fascinado,
o peixinho dá um salto para apanhar o raio de sol. (Os dedos de Amaro saltitam, ágeis,
batendo nas teclas.) A água se agita. Borbulhas, ondas, gluglus. A corrida começa.
Pirulito, tonto, fascinado, corre e rodopia, querendo pegar a misteriosa fita de luz.
Amaro está esquecido de tudo, tonto e transfigurado também como o peixe que
[15] quer apanhar o raio de sol. Tremem os bibelôs que estão em cima da tampa do piano.
Um negrinho de terracota oscila. Cambaleiam os vasos de flores. Pirulito corre ainda,
embriagado de ilusão.
VERÍSSIMO, Erico. Clarissa. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 158.
Assinale a alternativa incorreta em relação à obra Clarissa, Erico Veríssimo, e ao Texto 4.