“Aquilo soou como uma novidade. Foi lendo. ‘Na pequena cidade de Port Moresby,
que fica no Golfo Papua, no Pacífico, a filha do líder de emancipação feminina, tendo tido
a oferta altíssima com fins de casamento de cem bois, duzentas sacas de café e
cinquenta cabras, além de mais trezentos quilos de sal, foi vendida em matrimônio para
5. um jovem herdeiro que desmoralizou com sua oferta os pendores político-sociais do pai
da noiva, uma bela papua de dezenove anos.’
Dorothy sentiu grande avidez pela notícia. Talvez lá por dentro do Boletim
houvesse um retrato da bela papua vendida em Port Moresby. Nada encontrou a não ser
as repetidas notas sobre melhoria de maquinismos rurais, aos quais se ligava o marido
10. por força de seus negócios. Pensava sempre que Jorge, por não ter filhos, votava às
máquinas agrícolas uma espécie de amor. Talvez ele as vendesse como o pai da bela
papua de dezenove anos, entre a glória de oferecer tão bela mercadoria e a pena da
separação. Havia alguns anos que Jorge lidava com estas máquinas. Frequentemente,
fazia ofertas ao telefone ou negociava em sua própria casa com fregueses mais
15. importantes. Fazia, então, louvores às máquinas beneficiadoras de café, de descaroçar
algodão ou de aparelhos que se adaptavam a seres humanos, transformando-os também
em máquinas, a distribuir sementes a todos os ventos, permeadas de umidade.
Fonte: O conto da mulher brasileira, Edla van Steen (organizadora, 3a. Ed. São Paulo: Global,2007. Port Moresby, p.34.
Assinale a alternativa incorreta em relação ao conto Port Moresby, Dinah Silveira de Queiroz, e ao Texto.