Leia agora este outro texto (adaptado), início da crônica “A Secretária”, de Rubem Braga:
Procuro um documento de que preciso com urgência. Não o encontro e me demoro a decifrar minha própria letra nas notas de um caderno esquecido que os misteriosos movimentos da papelada pelas minhas gavetas fizeram vir à tona. Isso é que dá encanto ao costume da gente ter tudo desarrumado. Tenho uma secretária que é um gênio nesse sentido. Perdeu, outro dia, cinquenta páginas de uma tradução.
Tem um extraordinário e translúcido senso divinatório, que a leva a mergulhar no fundo do baú do quarto da empregada os papéis muito urgentes, rasga apenas o que é estritamente necessário guardar, mas conserva com rigoroso carinho o recibo da prestação de um aparelho de rádio que comprei em São Paulo em 1941 – coisa que o tempo já deixou fluir, de tão antiga.
Sobre o texto, afirma-se:
I. No final, o verbo “fluir” não está corretamente empregado e deveria ser substituído pelo parônimo “fruir”.
II. O trecho “mas conserva com rigor” apresenta um erro, já que a palavra inicial, por ser advérbio, deveria ser escrita “mais”.
III. A figura de linguagem predominante é a ironia.
IV. O pronome oblíquo “o”, em “Não o encontro”, refere-se ao sujeito da oração subordinada do período anterior.
V. No primeiro período do segundo parágrafo, o vocábulo “translúcido” poderia ser substituído, sem perda de sentido, por “diáfano”.
Assinale a alternativa correta: