Leia o texto a seguir, observando as expressões em destaque.
ANTIDEPRESSIVOS PARA QUEM NÃO PRECISA?
Suzana Herculano-Houzel
Recebo vários e-mails de pessoas que hesitam em tomar a medicação receitada após ler a bula. A razão, em muitos casos, é notar palavras como "epilepsia" ou "depressão" nas recomendações do remédio. Por que médicos receitam antidepressivos para quem sofre de ansiedade, antiepilépticos para quem sofre de dor crônica, ou antipsicóticos para quem sofre de mania, não de esquizofrenia? A resposta curta é: porque o cérebro funciona com um número surpreendentemente pequeno de substâncias que modulam a atividade dos neurônios (A), e, portanto, há poucas maneiras de o cérebro desandar (B) — e poucas maneiras de intervir quando isso (1) ocorre. Por isso, o número de classes de fármacos é bastante pequeno, e eles (2) acabam categorizados de acordo com seu uso mais conhecido.
Se o problema é relacionado a excesso de excitação de neurônios (C), como ansiedade, mas também epilepsia, o tratamento é aumentar o freio natural do cérebro por inibição dos neurônios. As mesmas substâncias que fazem isso (3) são, portanto, ansiolíticas... e também antiepilépticas. E também combatem a dor crônica, quando esta (4) é relacionada a excesso de atividade no cérebro (D).
Se o problema é excesso de modulação dopaminérgica, que tanto promove a saliência pessoal dos acontecimentos (e, portanto, paranoia) quanto o grau de prazer e motivação (e portanto mania), o jeito é reduzir a ação da dopamina. Essas substâncias são conhecidas como antipsicóticas — mas também controlam a mania.
Se o problema é, ao contrário, falta de modulação dopaminérgica, uma das causas possíveis da falta de prazer e motivação da depressão, o jeito mais seguro de corrigir o problema não é aumentar a dopamina (pois drogas que fazem isso levam facilmente ao vício), e∼ usar substâncias que fazem o cérebro aumentar seus freios internos. Esses (5) são chamados de antidepressivos — e também tratam ansiedade.
Os nomes (E) às vezes assustam, eu sei. Mas um pouco de conhecimento sobre o próprio cérebro resolve o problema.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/suzanaherculanohouzel/2018/08/antidep ressivos-para-quem-nao-precisa.shtml Acesso em: 29 set. 2018
Considerando o processo de referenciação textual, assinale a alternativa correta.