TEXTO:
Hoje, em pleno século XXI, espera-se de um
médico que este conheça bem o campo científico da
sua especialidade, em acordo com a metodologia
científica evidenciadora das melhores práticas de
[5] diagnósticos e tratamentos. Deve tal profissional ser
capaz de manejar ou, ao menos, conhecer aparatos
tecnológicos cada vez mais complexos e sofisticados,
inclusive as tecnologias de informação, ferramenta
muito importante para os requisitos anteriores.
[10] Mas, diante do cenário atual, com as novas
exigências de pacientes mais esclarecidos,
conscientes do seu papel e ansiosos para ver
exercitado seu atendimento com dignidade e
autonomia, o médico deve exercer seu saber
[15] tecnocientífico em harmonia com uma filosofia prática
adequada a este novo paciente, capaz de promover
um emprego mais prudente, seguro e com sabedoria
das ações médicas. Este cenário clínico ideal vem
corroborar a conhecida expressão que diz: “É um bom
[20] médico aquele que aplica as diretrizes ou protocolos
baseados em evidências científicas, mas é um ótimo
médico aquele que sabe distinguir naquelas diretrizes
o essencial e o dispensável a cada caso”.
Por outro lado, infelizmente, ainda se constata
[25] cotidianamente a ocorrência de prática clínica
temerária, exercida por médicos moral e tecnicamente
mal formados que consubstancia uma tragédia
potencial e real. Isso porque a medicina tecnológica
de hoje, tão poderosa no trato e na cura das doenças,
[30] quando mal aplicada, gera sofrimento, sequelas e
mortes. Nesse contexto, o médico eticamente mal
formado está mais suscetível a cometer danos quer
pelas vias da imperícia, imprudência ou negligência,
ou, mais grave ainda, por motivações financeiras e
[35] mercantis.
Os comportamentos antiéticos de tal natureza
não só expõem o paciente a procedimentos invasivos,
caros e potencialmente lesivos, sem a necessidade
técnica devida, como também envolvem danos
[40] físicos, morais e financeiros para o paciente, sem
falar na elevação dos custos da assistência à saúde.
De fato, produzem efeitos negativos em cadeia,
chegando, inclusive, deslustrar a imagem pública da
medicina, profissão essencialmente beneficente e
[45] humanitária.
Preocupada em aperfeiçoar a qualidade da
relação dos seus médicos com os pacientes e com
a instituição, a norte-americana Clínica Mayo
aplicou pesquisa entre seus clientes com o objetivo
[50] de conhecer, na visão deles, as características
que o médico deve possuir para um exercício
profissional ideal. Ao final, constatou que são seis
as características fundamentais de um bom médico:
confiança, empatia, humanidade, franqueza, respeito
[55] e método.
Nesta esteira, Edmund Pellegrino, professor
emérito de Ética Médica do Kennedy Institute of
Ethics, afirma que a medicina é uma profissão
especial por lidar de perto com a vulnerabilidade de
[60] doentes e que o bem-estar do paciente deve sempre
suplantar os interesses do médico. Para Pellegrino,
na prática, o médico, para alcançar o bem e o
bem-estar do paciente, deve possuir qualidades
de caráter, como: Virtudes Morais – benevolência
[65] honestidade, confiabilidade, fidelidade à promessa
de cuidar da melhor maneira possível, compaixão
e humildade; e Virtudes Intelectuais – competência
técnica, habilidade, prudência e intuição. Completa
Pellegrino, ao afirmar que uma teoria baseada na
[70] beneficência, segundo a qual o médico deve agir
em função do bem do paciente e de acordo com as
virtudes citadas, é mais apropriada à prática médica
que outras éticas baseadas em regras e princípios.
BRANDÃO, Jecé Freitas. O Médico no século XXI: o que querem os pacientes? Disponível em: https://www.cremeb.org.br/wp-content/ uploads/2015. Acesso em: 13 out. 2021. Adaptado.
Segundo as ideias precípuas do articulador do texto e sua linha argumentativa, os avanços da medicina e da tecnologia contribuíram para