"Blockchain – como um 'Grande Outro‘ não alienado – precisa de muito mais trabalho do que a inscrição em um terceiro alienado (seja um banco ou instituição financeira pública/privada), criando os novos 'proletários‘ deste novo domínio a partir dos 'mineradores‘ de bitcoin que fazem esse trabalho. Passamos dos antigos mineradores que faziam o seu trabalho difícil nas profundezas da terra, como os genuínos proletários por excelência do século 19, para os mineradores de bitcoin que trabalham para construir e garantir o espaço para um bitcoin no 'Grande Outro‘ digital.
O paradoxo aqui é que eles não trabalham para produzir novos valores de uso, mas para criar um novo espaço para o valor de troca. Para garantir que os bitcoins não necessitem de uma autoridade legal externa e das taxas que os acompanham, é necessário um esforço que leva muito tempo e usa tanta energia (eletricidade) que o torna um pesado fardo ecológico.
A ideia potencialmente progressista do bitcoin como global e independente de aparatos estatais e particulares, assim, se atualiza de uma forma que mina suas próprias premissas. Isso o torna semelhante aos NFTs."
Zizek, Slavoj. It‘s Naive to Think Bitcoin & NFT Give Us Freedom. RT. 8 jan. 2022. Disponível em: rt.com/op-ed/545405-bitcoin-nft-digital-control/. Acesso em: 26 mai. 2022
A análise do filósofo esloveno Slavoj Zizek sobre o mercado de bitcoins e NFT‘s alerta sobre os problemas ambientais e também relativos às ambivalências da própria liberdade propagada por esse novo sistema financeiro.
Essa análise, em partes, remete às premissas do materialismo dialético de Marx e Engels, que no século XIX enfatizava: