Texto 1
Um dos crimes mais emblemáticos dos anos 70 foi cometido numa praia: a dos Ossos, em Búzios, [...]. Numa delas, às 18 horas do dia 30 de dezembro de 1976, Doca Street, personagem da alta sociedade paulistana, [...] matou com três tiros no rosto e um, na nuca, sua amante, a mineira Ângela Diniz. Tudo começou com uma crise de ciúme. “Ela vivia comparando Doca com outros namorados”, explicou o advogado do assassino. [...] a defesa conseguiu provar que Ângela tinha má conduta e fora agredida para que Doca preservasse “a legítima defesa” de sua honra. Condenou-se a vítima e absolveu-se o assassino que contava com uma claque de torcedores nas primeiras filas do tribunal. E – pasmo – de torcedoras!
DEL PRIORI, Mary. Quem ama não mata! Disponível em: Quem ama não mata? - História Hoje (historiahoje.com).
Texto 2
Em 1981, Doca Street foi submetido a um novo julgamento e condenado a 15 anos de prisão. O
julgamento foi acompanhado pessoalmente por ativistas feministas, que organizaram uma vigília e
exigiram sentença e prisão para o assassino, explodindo em aplausos quando a sentença foi
anunciada. Enquanto que no primeiro julgamento havia predominado uma cobertura machista da mídia a partir da vida sexual da vítima, já no segundo julgamento, a pressão do movimento feminista impôs um quadro de sentido baseado no próprio assassinato e na invalidade do argumento emocional para justificá-lo.
Dra. Patrícia Alonso. Caso Ângela Diniz ... violência doméstica. Disponível em: https://www.alienacaoparentalacademico.com.br/2022/01/26/caso-angela-diniz-violencia domestica/.
O caso Ângela Diniz se tornou emblemático para a história dos direitos das mulheres no Brasil.
Nos textos acima há referências sobre os dois julgamentos, ocorridos em contextos diferentes, apesar de tempos bem próximos, expressando uma mudança cultural que