CASOS DE ADOLESCENTES CONTAMINADOS PELO HIV TRIPLICAM EM SÃO PAULO
Usar remédios antes da infecção é estratégia eficiente na luta contra a Aids. Em 2016, o Ministério da
Saúde deve apresentar um protocolo como esse.
O Bem Estar desta segunda (30) falou sobre a importância dos remédios para prevenir doenças,
principalmente na luta contra a Aids. Nosso consultor e infectologista, Caio Rosenthal, e a chefe do
laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids da Fundação Oswaldo Cruz, Beatriz Grnsztjn, explicaram
como funcionam os tratamentos e a prevenção contra o vírus do HIV.
Usar remédios contra o HIV antes da infecção é uma estratégia eficiente na luta contra a Aids e
que começa a ser adotada pelos governos. O Brasil também poderá adotar. A previsão é que já no próximo
ano, o Ministério da Saúde apresente um protocolo nesse sentido e peça autorização à Anvisa para usar um
antirretroviral como prevenção ao HIV.
O uso de medicamentos contra o HIV, antes de se expor ao vírus, comprovou ser eficaz em 99%
dos casos em pessoas mais vulneráveis. Trata-se de uma estratégia conhecida como PREP, de profilaxia
pré-exposição. É por isso que alguns países, inclusive o Brasil, já discutem incorporar essa estratégia no
arsenal contra o HIV. A ideia é proteger casais soro discordantes (um tem HIV e outro não), por exemplo,
entre outros grupos mais vulneráveis, que serão avaliados caso a caso pelos serviços de saúde.
Todo mundo que faz sexo tem algum risco. Algumas pessoas têm mais risco em determinados
momentos da vida. Homens jovens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injetáveis são hoje a
população mais vulnerável ao HIV no Brasil. Na África, mulheres jovens heterossexuais também estão
entre as mais vulneráveis.
Depois da exposição.
A PEP é a profilaxia pós-exposição, ofertada a pessoas mais vulneráveis, incluindo as que em
situações determinadas fizeram sexo sem camisinha. Nela, o remédio chega em até 72h após o vírus e o
contém. Já na PREP, o remédio chega antes ainda do vírus. No tratamento normal, o remédio reduz a carga
viral a níveis indetectáveis, mas o vírus não é eliminado.
Testar e tratar.
A meta no Brasil é a chamada 90-90-90: diagnosticar 90% dos casos, tratar 90% dos casos e
suprimir a carga viral em 90% dos casos. Diagnóstico e carga viral já superaram os 85%.
Desde 2013, o Brasil trata todas as pessoas com HIV, algo que a OMS só recomendou agora. É
muito importante fazer o teste de HIV, que é gratuito e sigiloso. Quanto mais cedo a pessoa sabe, mais cedo
começa a tratar e menos risco há de desenvolver o quadro de Aids e maiores as chances de reduzir a carga
viral a níveis indetectáveis.
(Texto adaptado do G1, em São Paulo, edição do dia 30/11/2015).
Se a OMS (Organização Mundial de Saúde) só recomendou agora o tratamento para todas as pessoas contaminadas pelo HIV e o Brasil, desde 2013, tem essa prática como protocolo, é possível AFIRMAR que