Vivemos a era da informação. Nesse sentido, vem
se tornando cada vez mais frequente o papel da mídia
na divulgação de informações científicas. Nas áreas de
ciências biológicas e medicina, são publicados,
[5] anualmente, mais de dois milhões de artigos científicos.
Atrás de informações sobre sua saúde, nossos pacientes
consultam o “Dr. Web” e trazem aos médicos artigos e
opiniões sobre suas doenças.
A participação do paciente e de seus familiares
[10] nas decisões clínicas sobre testes diagnósticos e
intervenções terapêuticas é muito importante. Por isso,
o conhecimento sobre os benefícios, riscos e alternativas
ao tratamento proposto devem ser sempre esclarecidos
pela equipe médica. A busca e a troca de informações
[15] adicionais pelo paciente é parte do padrão cultural popular
e deve ser encarada como um reforço bem-vindo ao invés
de um incômodo a ser evitado. Assim sendo, a formação
e o conhecimento são instrumentos importantes para
uma avaliação crítica das informações médicas
[20] disponíveis na mídia, oriundas, muitas vezes, de fontes
não confiáveis e, muito pior, repletas de erros e conceitos
inadequados e até perigosos.
As decisões médicas baseiam-se em três pilares:
a melhor evidência científica, a experiência clínica e os
[25] aspectos éticos. Todos esses aspectos fazem parte da
longa formação cultural do médico. Não é possível
imaginar que todo indivíduo seja capaz de compreender,
em um curto espaço de tempo, o conhecimento médico.
Em contrapartida, não é correto presumir que esse
[30] conhecimento seja prerrogativa do médico. A história da
divulgação do conhecimento, em nossa sociedade,
revela essa natureza especulativa e curiosa dos “não
especialistas” muito antes dos computadores ou mesmo
da moderna medicina.
[35] Mas existem barreiras que são intransponíveis. Os
avanços tecnológicos e científicos geralmente têm um
grande efeito sobre a mídia, embora representem, de
imediato, um impacto pequeno na evolução clínica dos
pacientes. O relacionamento com a mídia deve ser
[40] cuidadoso no sentido de explicar a realidade da
informação científica e seu lugar na prática clínica.
Mais delicada e importante, entretanto, é a
confidencialidade das informações. O respeito ao sigilo
é fundamental. A preservação de segredos profissionais
[45] é um direito do paciente e uma conquista da sociedade
contida nos Códigos de Ética e Penal. Essa relação de
confiança se estabelece entre o paciente e seu médico
e se estende a todos os demais profissionais das áreas
de saúde e administração que tenham contato direto ou
[50] indireto com as informações obtidas.
O MÉDICO e a Mídia. Revista da Associação Médica Brasileira. Disponível em: . Acesso em: 29 maio 2016. Adaptado. Editorial.
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