Assim, ainda no século XIX, depois de inventar um Brasil que emanava do campo, depois de lhe dar contornos e palpabilidade, depois de assegurar sua existência material e imaginária, o homem de letras do Império precisou girar sobre seus calcanhares em 180°, dando as costas ao Brasil profundo e mirando o litoral, onde estavam suas principais cidades.
Olhar para as cidades era vislumbrar o mundo, num país que por mais de trezentos anos estivera fechado aos influxos da civilização ocidental. A cidade era, pois, a promessa de civilização, cuja “carte-de-visite” era a urbanidade. Urbanidade! Urbanidade aí no sentido oposto de ruralidade, onde a casa-grande se voltava sobre si mesma não produzindo o “outro”, senão o “mesmo” da família. Nesse sentido, vigiam costumes e formas de relação que supunham a familiaridade, senão a fraternidade. Sendo assim, o repertório comportamental dessa gente era incapaz de transcender os vínculos de sangue e compadrio e o grupo se torna incapaz de pactuar algo – a urbanidade – que esteja fora dos moldes dessa ruralidade familiar.
(PECHMAN, Robert Moses. Desconstruindo a cidade: cenários para a nova literatura urbana, Revista Rio de Janeiro, n. 20-21, jan.-dez. 2007, p. 32).
No trecho acima, extraído do estudo crítico, o autor faz referência à passagem do campo para a cidade retratada por escritores brasileiros em suas obras.
Assinale a alternativa correta na relação campo-cidade: