TEXTO:
O carpina fala com o retirante que esteve de fora, sem tomar parte em nada
— Severino, retirante
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
[5] se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga.
é difícil defender,
[10] só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
[15] ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
[20] que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
[25] mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
[30] de uma vida severina.
MELLO NETO, João Cabral. Morte e Vida Severina. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968. p. 241.
Em relação aos versos destacados da obra Morte e Vida Severina e a seu autor, de João Cabral de Melo Neto, é procedente o que se afirma:
I. O processo de denúncia, enquanto narrativa poética, dá-se em forma de monólogo.
II. A apresentação da temática se faz de modo harmonioso entre linguagem, conteúdo e forma, conferindo-lhe a denominação de Auto pela própria temática humanista que trata.
III. A composição dos versos obedece ao padrão das cantigas medievais: versos heptassílabos.
IV. João Cabral, pela temática que aborda em grande parte de sua obra, assim como os versos em questão, está inserido na segunda geração do Modernismo, década de 30.
V. Considerado o poeta-engenheiro, devido à sua profissão, apresenta uma linguagem enxuta, desprovida de adjetivação como a do próprio sertanejo.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a