Há uma polêmica sobre as causas da inflação. Tem gente que bota a culpa no governo. Vem daí outra expressão que aparece todos os dias nos jornais: déficit público. Déficit significa falta, em latim.
O déficit público é o que falta para o governo pagar suas contas. O dinheiro que tem nos cofres não dá para pagar as obras, as universidades e as pessoas que trabalham para ele.
Quando os governantes percebem que o dinheiro do imposto arrecadado não é suficiente, uma das saídas é emitir moedas. Só o governo tem o direito de fabricar dinheiro. Quando aumenta a quantidade de notas ou moedas circulando, elas perdem o valor.
Imagine uma pequena cidade onde moram quinhentas pessoas. Por cima dela, passa um avião carregado de dinheiro. Esse avião despenca, e o dinheiro cai como chuva sobre a cidade. O que acontece? As pessoas, agora com mais dinheiro no bolso, vão sair comprando.
Só que o comerciante, que não é bobo, percebe que pode vender mais caro, pois seus fregueses podem pagar mais. Os preços sobem.
Quando o governo emite mais moeda, ele está fazendo algo parecido e está fabricando inflação.
É por isso que é importante o governo controlar os gastos públicos. Quando ele gasta mais do que o que tem, o cidadão acaba pagando essa diferença através da inflação.
DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel: A infância, a adolescência e os Direitos Humanos no Brasil. 5. ed. São Paulo: Ática, 1994. p. 103-104.
Quanto aos recursos linguísticos usados no texto, é correto afirmar:
I) A forma verbal “Tem”, em “Tem gente que bota a culpa no governo.”, no contexto em que está inserido, expressa o uso coloquial de ter por haver no sentido de existir, mas, nesse caso, perde a impessoalidade verbal.
II) O conector “que”, em “Quando os governantes percebem que o dinheiro do imposto arrecadado não é suficiente” e em “É por isso que é importante”, equivale-se do ponto de vista morfológico.
III) O advérbio presente em “Imagine uma pequena cidade onde moram quinhentas pessoas.” faz referência à expressão anterior, cuja função sintática é a de complemento verbal, e funciona como adjunto adverbial de lugar.
IV) O operador argumentativo “como”, em “e o dinheiro cai como chuva sobre a cidade.”, possui o mesmo valor comparativo que a locução “do que”, em “Quando ele gasta mais do que o que tem”.
V) O termo “mais”, em “As pessoas, agora com mais dinheiro no bolso, vão sair comprando.” e em “Só que o comerciante, que não é bobo, percebe que pode vender mais caro”, pertence a diferentes classes de palavras e denota ideias diversificadas.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a