Eram sete e dez. Louis ligou para o serviço de informações e, quando a telefonista lhe perguntou qual era a cidade, ele disse: Ipswich. O aparelho de telefone estava impregnado de um perfume ao qual ele talvez fosse alérgico, tão nocivo foi o efeito sobre suas membranas nasais. Ligou para o número de Rita Kernaghan, deixou o telefone tocar oito vezes e estava prestes a desligar quando um homem atendeu e disse com uma voz baixa, mortiça e institucional: “Aqui fala o oficial Dobbs”. Louis pediu para falar com a sra. Kernaghan. Eunucos, perfume, fetos. Dobbs. “Quem está falando?” “É o neto dela.” Louis ouviu o ruído abafado de uma mão tapando o bocal do outro lado da linha e uma voz ao fundo, depois silêncio. Por fim, um outro homem veio ao telefone, um tal sargento Akins. “Nós vamos precisar que você nos dê algumas informações”, disse ele. “Como você já deve saber, houve um terremoto aqui. E não será possível você falar com a sra. Kernaghan, porque ela foi encontrada morta algumas horas atrás.”
FRANZEN, Jonathan. Tremor. Companhia das Letras.
A história do livro de Franzen se passa na região de Boston, costa Oriental dos Estados Unidos.
Ao retratar a ocorrência de um terremoto, pode-se afirmar que esse fenômeno nessa região