José Miguel Wisnik, no ensaio A coisa social, p. 448, reflete sobre os modos como a preocupação com o social se revela na obra de Clarice Lispector: Engana-se, pois, quem pensar Clarice como uma escritora desligada da inquietude e do fervor social, supostamente mergulhada nos desvãos existenciais e psicológicos de uma obra da qual a dimensão política estaria ausente. O que acontece é que o sentimento da injustiça está pulsando, sempre visceralmente, e com a veemência da arte, justamente ali onde é menos esperado.
Um século de Clarice Lispector ensaios críticos. Org. Yudith Rosenbaum e Cleusa Rios P. Passos. Fósforo, 2021. Edição do Kindle.
Conciliando a citação acima à leitura do livro Felicidade clandestina, considere as seguintes proposições:
I. No conto O grande passeio, a preocupação social se mostra pela descrição do modo de vida da protagonista - uma velhinha vivendo de favores e de esmolas: Quando lhe davam alguma esmola davam-lhe pouca, pois ela era pequena e realmente não precisava comer muito.
II. Em Restos de carnaval, o senso da injustiça social evidencia-se quando a protagonista menina de 8 anos ganha uma fantasia de Rosa, ainda que confeccionada com sobras de papel comprado pela mãe da amiga.
III. Cem anos de perdão narra a história de uma garota que roubava rosas e pitangas. Decorre da leitura desse conto uma reflexão política acerca da estratificação social, que força crianças pobres a deixar a escola e encontrar meios de sustentar a família.
Está(ão) correta(s) a(s) proposição(ões):