TEXTO II FRANKENSTEIN Capítulo 1 - Narrativa de Victor Frankenstein, estudante de química, biologia, filosofia natural e anatomia Como pode o verme ser o herdeiro das maravilhas de um olho ou de um cérebro? 'Os cientistas antigos procuraram o elixir da vida eterna, a pedra filosofal e outras tolices. Os mestres de nosso tempo prometem pouco, mas podem fazer muito'. As palavras de Herr Waldman me deixaram profundamente impressionado. Não consegui fechar os olhos aquela noite. Eu iria descobrir algo que faria a humanidade dar passos de gigante. Mas o quê? Enquanto não tinha a resposta, resolvi que o melhor seria dedicar-me fervorosamente a certos estudos para os quais me julgava predestinado: química, biologia, anatomia, filosofia natural. Pelos dois anos seguintes, atirei-me aos livros e às pesquisas com um fanático entusiasmo. Um fenômeno que me fascinava em meus estudos era o da estrutura do ser humano e de qualquer animal vivo. Eu me perguntava: de onde vem o princípio da vida? Concluí que, para descobrir as causas da vida, temos de recorrer à morte. Decidido a examinar as causas e a evolução da degeneração do corpo, forcei-me a passar dias e noites no necrotério da universidade, praticando autópsias. Dediquei-me a observar como a vida se transformava em morte e a morte em vida - até que, no meio daquelas trevas, uma luz subitamente se impôs aos meus olhos. Minha descoberta pode ter sido um milagre, mas os estágios em que ela se deu foram absolutamente distintos, em dias e noites de trabalho e fadiga quase intoleráveis, e podem ser descritos passo a passo. Descobri como e por que a vida é gerada. Mais impressionante ainda: tornei-me capaz de dar vida à matéria inanimada - de transformar a morte em vida. Embora eu possuísse a capacidade de dar vida à matéria morta, o trabalho de preparar uma estrutura para recebê-la, com seu intrincado complexo de fibras, músculos e veias, parecia de uma magnitude e dificuldade inconcebíveis. Mas estava excitado demais para me permitir dar vida a um animal menos complexo e maravilhoso do que o homem. Como a extrema minúcia das partes do organismo pudesse ser um obstáculo à ansiedade de contemplar a minha criação, decidi construir um ser de estatura gigante de 2,5 metros de altura, com todos os órgãos proporcionalmente grandes. Transformei um quarto em laboratório, separado dos outros aposentos por corredores e por uma longa galeria. Ninguém será capaz de imaginar as sensações que me impulsionaram em minha tarefa. Foram esses pensamentos que me estimularam enquanto eu me atirava ao trabalho e me esquecia do resto. Muitas vezes, quando me julgava na iminência de resolver um problema complicado, como dar vida a um feixe de nervos ou devolver a luz a um olho, eu fracassava. Então me agarrava à esperança de que, no dia seguinte, triunfaria o que inevitavelmente acontecia. Mas quem poderá conceber os horrores dessa obra secreta, cuja grandeza só era igualada pelos atos da mais baixa e fria desumanidade que, em nome da ciência, eu era obrigado a cometer? A sala de dissecação da universidade e o próprio matadouro local foram por mim invadidos à procura de ossos e vísceras, e apenas a Lua era testemunha de minhas voltas furtivas para casa, sobraçando aqueles horrores. Muitas vezes torturei animais vivos, tentando e conseguindo roubar-lhes a chama que eu iria emprestar ao barro ainda informe à minha frente. (Adaptado de - SHELLEY, Mary. Frankenstein - uma história de Mary Shelley. Trad. Ruy Castro. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 11-19).
O romance de Mary Shelley, como Literatura Gótica ou de Horror, inaugura a ficção científica, gênero que, mais tarde, inspirou obras literárias cinematográficas. Acerca desse diálogo do texto com obras mais atuais, a partir dos enunciados que explicam tais obras, analise os tópicos abaixo.
I. O homem Bicentenário – um robô se torna humano, ao longo de dois séculos, e o faz questionando o significado da humanidade e da vida.
II. O médico e o monstro – Dr. Jeky faz pesquisas para entender os impulsos e os sentimentos mais profundos. Ele acaba por criar uma droga que libera os seus impulsos mais primitivos.
III. Pobres Criaturas – a civilização que pesa entre nós – Bella Baxter é trazida de volta à vida pelo cientista e guardião Dr. Godwin. Bela está ansiosa para aprender sobre o mundo ao seu redor, embora sob a proteção de Godwin.
IV. Entrevista com Vampiro – Um vampiro chamado Louit de Point du Lac, atormentado pela morte de seu irmão, busca a morte de todas as formas possíveis. Louit é transformado em vampiro por Lestat. Louit sobrevive de animais mortos pois acha repugnante matar humanos para sobreviver.
Assinale a alternativa correta em que os textos estabelecem relação temática com o texto de Frankenstein.
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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Intertextualidade e Diálogo entre Textos aparece em ~5% das questões de Literatura (598 questões no banco).
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