1 Nas últimas décadas, começou a ser construída no
Brasil uma cultura em que o parto, antes visto como um
acontecimento natural, passou a ser tratado como evento
4 médico. Essa mudança levou não apenas ao aumento
expressivo das taxas de cesarianas, mas também à adoção de
diversos procedimentos médicos e tecnologias durante os
7 partos normais. Atualmente, várias pesquisas têm mostrado que
essas intervenções são muitas vezes desnecessárias ― e podem
até ser prejudiciais ―, mas várias delas continuam sendo
10 usadas de forma rotineira nos hospitais.
A médica epidemiologista Daphne Rattner, professora
da Universidade de Brasília e presidente da Rede pela
13 Humanização do Parto e Nascimento (REHUNA), afirma que
a atual cultura de ensino da obstetrícia se baseia, em grande
medida, em práticas prejudiciais ou ineficazes. Entre elas, estão
16 a obrigatoriedade de a gestante permanecer deitada durante o
trabalho de parto, a colocação preventiva de soro na veia da
paciente, a raspagem dos pelos pubianos, a realização de
19 pressão sobre a barriga da mulher para “auxiliar” a expulsão do
bebê (manobra de Kristeler), a lavagem intestinal antes do
parto e o exame retal após.
Thaís Fernandes. Rotina desnecessária e perigosa. Internet: <www.cienciahoje.uol.com.br> (com adaptações).
A correção gramatical do texto e o sentido de suas ideias seriam mantidos caso se substituísse