Observe o texto e responda à questão:
TEXTO I
O Photoshop afetou a percepção da realidade
No início, o Photoshop era um programa de computador bem simples, que pouco mais fazia do que exibir imagens reticuladas nas telas monocromáticas de então. Vinte e cinco anos depois, ele está entre os mais desenvolvidos aplicativos para processamento digital de fotos do mundo.
E fez escola: até por ser originalmente caro, ele deu origem a todo um setor de programação, com bons sucessores a preços bem mais acessíveis ou até mesmo grátis.
Hoje, os programas de processamento de imagens são onipresentes: as fotos transformadas com sua ajuda estão nos computadores, smartphones, redes sociais, revistas de moda – e também no subconsciente humano.
As pessoas hoje estão tão acostumadas a imagens modificadas, filtradas e manipuladas, que fotografias não processadas até parecem estranhas. Fotos de personalidades em estado natural têm muitas vezes um efeito chocante – e são divulgadas como tal na internet.
Apresentar as grandes estrelas tais como são – com sua celulite ou pele oleosa e cheia de cravos – é tema frequente de debate. Mais recentemente, as "transgressoras" foram a cantora Beyoncé e a modelo Cindy Crawford.
Quer as reações sejam positivas, quer negativas, as fotos colocadas na rede inflamam mais uma vez a discussão sobre se essa manipulação do imaginário pessoal é válida, e quais seus efeitos. Em razão disso, é possível observar que atualmente a idealização das imagens na mídia é, definitivamente, antes a regra do que a exceção.
São incontáveis as possibilidades de modificar digitalmente a aparência de uma pessoa para aproximá-la de certo ideal de beleza. Podem-se alongar pescoço e pernas, aumentar ou achatar bustos, acentuar as maçãs do rosto, tornar os cabelos mais densos, clarear ou bronzear a pele, à vontade.
“A indústria da moda, como um todo, se comporta de um jeito altamente questionável”, critica o especialista em mídia Thomas Knieper: “Quando se alonga as pernas das estrelas, se afina sua cintura e faz desaparecer as rugas e outros defeitos, as pessoas tendem a admirá-las incontrolavelmente e a imitá-las.”
Estudos demonstram que quem consome regularmente as fotografias processadas das revistas de moda em algum ponto passa a acreditar que aquilo que vê seja a norma. Isso aumenta o risco de anomalias como anorexia ou bulimia.
“Essas fotos são capazes de causar depressão em gente que não se sente capaz de alcançar os padrões de beleza impostos pelas mídias. Elas percebem que não conseguem se aproximar de seu ideal nem com dietas e operações de beleza. (...)
(WELLE ,Deutsche.. O Photoshop afetou a percepção da realidade . 2015. Disponível em < http://www.cartacapital.com.br/cultura/o-photoshop-afetou-a-percepcao-da-realidade. 6342.html. Acessado em 13/11/2018)
TEXTO II
Autoimagem e publicidade: até que ponto chegar pelo "corpo ideal"?
A imagem corporal é a ideia que cada pessoa tem sobre o seu corpo e ela tem papel central na construção da nossa identidade. Essa construção é um processo permanente, que envolve fatores físicos, emocionais e sociais e nos acompanha ao longo da vida.
O grande dilema do mundo moderno é adequar essa imagem corporal aos padrões estéticos impostos pela sociedade. A ideia de saúde que se fortaleceu no século XX foi a da cultura da “boa forma” e da exibição do corpo impulsionada pelo boom da indústria do fitness e pelos modelos de comportamento e beleza propagados pela indústria da publicidade.
Na busca pela aparência dita ideal imposta pela sociedade, as pessoas recorrem a dietas radicais, tornam-se obcecadas pela magreza extrema, recorrem a cirurgias plásticas nem sempre necessárias, para alterar partes do corpo que não agradam – muitas vezes no julgamento dos outros -- ou para evitar os efeitos do tempo. O corpo feminino é o que mais sente a exigência dos padrões sociais.
A reflexão que pode ser feita é a de até que ponto nos deixamos influenciar por esses fatores externos e até onde estamos dispostos a ir para ter uma imagem física dita perfeita. A dieta o exercício físico intervenções cirúrgicas a vaidade podem ser comportamentos saudáveis quando feitos com equilíbrio e acompanhamento profissional mas não podem se tornar inimigos do nosso bem-estar e saúde.
(MARTINS, Andréia. Disponível em < http://vestibular.uol.com.br/resumo-dasdisciplinas/atualidades/autoimagem-e-publicidade-ate-que-ponto-chegar-pelo-corpo-ideal-andreiamartins.htm >. Acessado em 03/10/2016)
Analisando os textos I e II, na perspectiva de se considerar o tema principal, conclui-se que