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Educação reforça desigualdade entre negros e brancos
No Brasil, brancos frequentam escola por mais tempo, enquanto pretos e pardos têm acesso a escolas de pior qualidade.
Quando se trata de educação, a desigualdade entre negros e brancos ainda é grande no Brasil. Segundo dados organizados pelo movimento “Todos pela Educação”, os brancos concentram os melhores indicadores e são a parcela da população que frequenta a escola por mais tempo.
A falta de oferta de uma educação de qualidade é o que aumenta esta desigualdade, aponta o estudo divulgado dois dias antes do Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro.
O estudo leva em consideração os critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que considera como negros os cidadãos que se declaram pretos ou pardos.
De acordo com o levantamento, a taxa de analfabetismo é de 11,2% entre os pretos, 11,1% entre os pardos, e 5% entre os brancos.
Até os 14 anos de idade, as taxas de frequência escolar não variam muito entre as populações. No entanto, a partir dos 15 anos, as diferenças se destacam: enquanto, entre os brancos, 70,7% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão no ensino médio; entre os pretos e pardos este número cai para 50,5% e 55,3%, respectivamente.
No terceiro ano do ensino médio, a diferença é ainda maior a partir da análise da aprendizagem dos conteúdos. Segundo o estudo, 38% dos brancos; 21% dos pardos; e 20,3% dos pretos têm o aprendizado adequado em Língua Portuguesa. Em Matemática, 15,1 % dos brancos; 5,8% dos pardos e 4,3% dos pretos têm o aprendizado adequado.
Política específica
Em entrevista à Agência Brasil, presidente executiva do momento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, afirma que os estudantes mais vulneráveis são os que têm acesso a escolas com piores infraestrutura e ensino.
"A chance de um filho de pais analfabetos continuar analfabeto é muito grande, e isso é mais forte na população negra. Então, se a gente tem uma dívida histórica com a população negra, não basta só ter direitos iguais. Não adianta a gente só dar direitos iguais a negros e pardos! A gente tem que ter políticas específicas na educação básica", afirmou.
Para a presidente do movimento, é preciso dar as melhores escolas para a população negra e parda. "Porque ela só vai conseguir romper o ciclo de exclusão e pobreza em que estão presas há gerações com política pública específica. Não adianta ter diploma, é a qualidade que vai importar. Para conseguir qualidade, o Estado tem que dar muito mais para a população historicamente excluída.”
(WELLE, Deutsche. Dia da Consciência Negra. 2016. http://www.cartacapital.com.br/sociedade/educacaoreforca-desigualdade-entre-negros-e-brancos >. Acessado em 20/11/2016, adaptado)
De acordo com o texto, podemos afirmar que: