Observe o texto e responda à questão:
Sobre padrões estéticos e mágoas
Quanto tempo falta para aceitarmos nossas próprias caras?
Segunda-feira, dia em que mesmo quando a gente acorda na hora, sabe que já está atrasado. E foi nessas que coloquei meu tênis, peguei minha mochila e saí para a academia.
Quando entrei no elevador -Jesus, que susto!- quem é aquela mulher, de cara lavada e olheiras profundas? Quem? Eu? Como assim, eu? Sim. A verdadeira “eu”, que está sempre oculta embaixo de uma bela camada de maquiagem. Na pressa, não me lembrei de nada e saí com a minha própria cara. Que choque. Estava pronta para mandar o elevador de volta para o meu andar e para mandar, com corretivo e blush, minha cara voltar a ser o que não sou, mas que acho que devo ser. Foi quando pensei “pera lá, Ruth. Academia. Dá pra ir sem corretivo nas olheiras, vai? Ninguém vai enfartar de medo da sua cara.”
E fui. E ninguém desmaiou. Nem ninguém riu. Nem ninguém me perguntou de que caverna eu saí. Podem ter pensado, isso podem. Mas também podem ter pensado “olha, aquela moça tem olheiras que nem eu. Não estou sozinho.”
Voltei para casa, tomei meu banho e comecei a trabalhar. Decidir gravar um vídeo no snapchat. Quando abri a câmera pensei “opa! De novo! Essa Ruth desmaquiada. Não posso gravar assim.”. Parei. Pensei de novo. O que será que é mais bacana para meus seguidores (sobretudo os do snap, tão novos)? Eu aparecer sempre ajeitada e produzida, fazendo-os se perguntar se só eles são mortais, normais, descabelados, com espinhas no queixo, enquanto a blogueyra aqui tá sempre arrumada? Melhor isso ou ser de verdade?
(...)
A gente pode gostar de tudo isso: de batom, de corretivo, de cabelo alisado, de barba, de boné. Mas a gente precisa gostar mais da gente. Precisa se abraçar de vez em quando e se aceitar do jeito que é. Precisamos elogiar os outros. Reduzir as críticas, as piadas, os risos. A gente nem pode mensurar o mal que isso faz, para nós e para os outros. E nem imaginamos quantas empresas lucram milhões com a nossa autoestima no chão. Que sentido faz contribuirmos com elas, e não conosco e com as pessoas que nos cercam?
(MANUS, Ruth . 2016. Disponível em < http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/sobre-padroesesteticos-e-magoas/ >Acessado em 03/10/2016)
Dos recortes abaixo, em qual apresenta marcas de oralidade: